2ª Chamada Pública de Pesquisa Científica

pesquisadores selecionados

Química

Engenharia de Contorno de Grão
Na maioria das vezes, átomos não se apresentam de forma completamente ordenada nos materiais, possuindo várias regiões de organização, sendo a área de separação de cada região ordenada chamada de contorno de grão, geralmente da espessura de alguns átomos. Contornos de grão têm estrutura e propriedades próprias, e o seu controle pode ser usado para aprimorar ou mesmo proporcionar novas propriedades aos materiais, como tornar materiais que antes eram frágeis em outros mais elásticos e/ou maleáveis, controlar o desempenho em células solares ou mesmo regular a condutividade em supercondutores. Porém, para controlar a formação dessas estruturas é necessário entender como estas são formadas. E como estudar formação dessas estruturas? Pela própria observação de sua formação. Por técnicas avançadas de microscopia eletrônica, pelas quais podemos manipular estruturas em escala nanométrica, buscamos entender a formação dessas estruturas pela observação direta, em escala atômica e em tempo real, provendo fundamentais insights para a produção de materiais avançados.

Universidade Federal de São Carlos
São Carlos/SP
Recursos alocados: R$ 100.000,00
Área: Química
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Ciência da Computação

Compressão de Light Fields: permitindo Multimídia Imersiva por meio de Realidades Aumentada e Mista
A evolução na forma de comunicação humana sempre impulsionou o desenvolvimento de novas mídias, como a fotografia e o vídeo, buscando melhor representação e realismo. Atualmente, o aumento da capacidade computacional, a facilidade de acesso a mídias digitais e a demanda por experiências imersivas impulsionam as tecnologias de Realidade Aumentada e Realidade Mista. Light Fields é uma das mídias/tecnologias mais promissoras visando Realidade Aumentada/Mista. Enquanto imagens representam informações da intensidade e frequência da luz, os Light Fields também descrevem informações sobre a direção dos feixes de luz. Tal riqueza de informação garante melhor representação do ambiente tridimensional e permite transformações de iluminação, foco e geometria que habilitam sistemas de Realidade Aumentada/Mista para aplicações como entretenimento, comunicação, telemedicina, segurança e veículos não tripulados. Como a representação de Light Fields demanda grande volume de dados, surge a necessidade de compressão. Os objetivos deste projeto são definir algoritmos eficientes de compressão e demonstrar a viabilidade de processar Light Fields em tempo real considerando dispositivos móveis.

Universidade Federal de Pelotas
Pelotas/RS
Recursos alocados:
R$ 100.000,00
Área: Ciência da Computação
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Similaridade, agregação e aprendizado de fluxos de dados heterogêneos: em direção a uma maior autonomia e flexibilidade da inteligência artificial
A obtenção de modelos matemáticos de sistemas cada vez mais complexos tem se tornado difícil. Modelos são úteis para previsão de comportamentos futuros; detecção de padrões; e controle de robôs e agentes virtuais. Questiona-se se algoritmos “inteligentes” são capazes de aprender em tempo real as leis que governam a interação entre as variáveis de um sistema. Propomos algoritmos para construção autônoma de modelos de propósito geral. Os algoritmos processam fluxos de dados diversos – como dados de imagens, movimentos, sons, eletrodos, redes sociais, e da linguagem humana. Diferente de outros algoritmos de inteligência artificial, os algoritmos propostos capturam grânulos de informação para raciocinar aproximadamente. Os modelos melhoram seu desempenho sem a intervenção humana, conforme experiências passadas e interações com o ambiente e com agentes. Temos construído os ingredientes para obtenção de um grau maior de inteligência em softwares e robôs. Esperamos avançar a inteligência das máquinas na direção de cenários realísticos. Assumimos uma percepção evolutiva do mundo, e grânulos de informação em espaços abstratos.

Universidade Federal de Lavras
Lavras/MG
Recursos alocados:
R$ 89.572,00
Área: Ciência da Computação
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Uso da teoria do caos e análise de imagens para avaliar e prever a evolução de carcinomas severos
Sabe-se que a interação entre estruturas biológicas segue uma dinâmica complexa e altamente não-linear, sugerindo a teoria do caos como uma abordagem natural para seu estudo. Assim, propõe-se aqui o uso desta teoria para investigar relações entre a morfologia celular de tipos agressivos de câncer (como alguns carcinomas de pulmão) e seu desenvolvimento biológico. O projeto propõe que esta dinâmica seja analisada a partir de imagens microscópicas do tecido afetado, propiciando uma modelagem mais simples e flexível do que os modelos físicos clássicos. Algumas perguntas que pretende-se responder são: 1) Como características não-lineares da imagem se relacionam com o risco de desenvolvimento de câncer? 2) Como a evolução destas imagens no tempo relaciona-se com a evolução da doença e o efeito do tratamento administrado? Espera-se que os resultados obtidos aprimorem o diagnóstico e orientem a elaboração de terapias que melhorem a taxa de sobrevida e a qualidade de vida do paciente.

Universidade Estadual de Campinas
Campinas/SP
Recursos alocados: R$ 50.000,00
Área: Ciência da Computação
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Geociências

Projeto Inversão: Estamos caminhando para uma inversão do campo magnético da Terra?
Apesar de sua importância para a vida na Terra, a verdade é que ainda sabemos pouco sobre o funcionamento do campo magnético. A carência de um modelo físico que nos permita compreender os diversos fenômenos que observamos no campo magnético da Terra resulta das dificuldades em acessarmos o núcleo terrestre. Os estudos buscam reconstituir com detalhe o comportamento do campo em seu passado, algo desafiador com os métodos disponíveis. Para tanto, vamos lançar mão de uma abordagem bem inusitada. Um material pouco utilizado nestes estudos são as estalagmites, um tipo de rocha muito conhecida, desenvolvida no interior das cavernas. Informações sobre as variações de intensidade, declinação e inclinação do campo magnético podem ser investigadas por meio dos minerais magnéticos presentes nas estalagmites. Buscamos contar a história do campo magnético da Terra nos últimos 10 mil anos e ajudar a responder a seguinte questão: Estamos caminhando para uma inversão do campo magnético?

Universidade Federal Fluminense
Niterói/RJ
Recursos alocados:
R$ 98.340,00
Área: Geociências
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Pistas sobre o passado geológico da Amazônia no DNA de peixes
A riqueza de espécies na Amazônia é enigmática. Hipóteses atrativas justificam sua biodiversidade como consequência do tempo, do clima e até da evolução dos Andes. O Projeto AMERICAS – AMazon Evolution driven by RIver CApture eventS – trará mais uma hipótese à mesa: a de que mudanças passadas na configuração dos rios amazônicos podem ter sido uma fábrica de espécies aquáticas para a Amazônia. Como residentes das vias aquáticas, os peixes, por exemplo, são passivamente redistribuídos quando há uma mudança na conexão entre rios. É como se mudassem a via do trem sem informar os passageiros. De acordo com teorias de evolução, isso é uma receita pronta para produzir novas espécies. O ponto-chave é que essas mudanças deixam registros nas paisagens e no DNA dos peixes. São estes registros que o projeto AMERICAS vai investigar para verificar o quão importante este mecanismo é na Amazônia e, consequentemente, para a evolução da vida em geral.

Universidade Federal de Ouro Preto
Ouro Preto/MG
Recursos alocados: R$ 99.274,00
Área: Geociências
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Evolução paleogeográfica da Amazônia baseada em modelos numéricos geodinâmicos
Nas últimas décadas, diferentes modelos foram propostos para explicar como a atual bacia hidrográfica do rio Amazonas foi formada concomitantemente ao soerguimento da cordilheira andina. Porém, com poucas exceções, esses modelos são essencialmente qualitativos, sem uma base física para verificar sua viabilidade, ou muito simplificados, ignorando-se processos importantes no modelo. O objetivo do presente projeto é estudar quantitativamente a evolução da bacia de drenagem da Amazônia utilizando modelos computacionais complexos que integram o clima, processos superficiais de erosão e sedimentação e a dinâmica interna da Terra. Dados geológicos e geofísicos serão utilizados para verificar se os experimentos numéricos podem reproduzir adequadamente a evolução da paisagem e o preenchimento sedimentar das bacias interiores e marginais. Este trabalho pode gerar importantes vínculos para a evolução paleogeográfica, paleoclimática e impacto sobre biodiversidade no norte da América do Sul durante a formação da cordilheira dos Andes.

Universidade de São Paulo
São Paulo/SP
Recursos alocados: R$ 98.008,00
Área: Geociências
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Ciências da Vida

Explorando a associação entre alterações respiratórias neuronais e funcionais na Doença de Parkinson
Que respiração é um processo extremamente importante para a vida e que não pode falhar, não há dúvidas. Que a necessidade de estudar doenças que se tornam mais presentes com o avançar da idade, como a Doença de Parkinson (DP), esteja cada vez mais frequente, também não há dúvidas. Além dos sintomas clássicos da DP que afetam o movimento, sintomas relacionados ao sistema respiratório também podem ser freqüentes, principalmente em estágios mais avançados da doença. Assim, por meio de instrumentos inovadores como proteômica e optogenética, nosso objetivo é investigar na DP: 1) alterações em estruturas no cérebro que são responsáveis por controlar a respiração, 2) mecanismos responsáveis por causar essa alteração e, por fim, 3) se a estimulação seletiva dessas estruturas alteradas ainda pode ser capaz de restaurar uma resposta respiratória adequada.

Universidade de São Paulo
São Paulo/SP
Recursos alocados: R$ 90.000,00
Área: Ciências da Vida
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Como as larvas de Galleria mellonella degradam o plástico sintético?
O aumento drástico do uso de materiais plásticos não tem sido acompanhado pelo desenvolvimento de procedimentos para o seu descarte seguro ou degradação. O polietileno, presente em sacos plásticos e embalagens, é um material inerte amplamente resistente à biodegradação e seu acúmulo no ambiente representa uma ameaça à vida terrestre e marinha. A rápida degradação de polietileno por larvas de Galleria mellonella foi reportada em 2017 e esta ação parece não ocorrer somente pelo processo de mastigação da larva. Nesse sentido, por meio de estudos multidisciplinares envolvendo as áreas da Microbiologia, Biotecnologia, Química e Física, esta pesquisa visa entender como ocorre o processo de degradação do plástico por G. mellonella. Esta ação provém das larvas? Dos micro-organismos intestinais? De ambos? À medida que elucidarmos os processos químicos envolvidos nessa degradação natural do plástico, novas alternativas poderão ser propostas para gerenciar o problema deste resíduo no ambiente.

Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre
Porto Alegre/RS
Recursos alocados: R$ 100.000,00
Área: Ciências da Vida
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Compreendendo a interação planta-polinizador no Cerrado com DNA-metabarcoding
A polinização, serviço ecossistêmico fundamental à biodiversidade e segurança alimentar, é realizada com excelência pelas abelhas, cujo ciclo de vida depende do pólen coletado nas flores. A extinção de espécies de abelhas é alarmante e sua conservação é impedida, em parte, pela escassez de conhecimento sobre suas relações com as plantas. Este projeto utilizará uma técnica emergente de sequenciamento de DNA, o DNA-metabarcoding, para identificar todas as plantas que são visitadas, e potencialmente polinizadas, por abelhas no Cerrado, por meio de “códigos de barras genéticos” extraídos do pólen acumulados em seus ninhos. Com essa nova abordagem, mais rápida e eficaz do que os métodos atuais, poderemos responder diversas questões relacionadas ao papel das abelhas na manutenção da megabiodiversidade do Cerrado, na produção agrícola da região, e dos efeitos das mudanças de habitat e clima sobre as abelhas.

Universidade Federal de Minas Gerais
Belo Horizonte/MG
Recursos alocados: R$ 100.000,00
Área: Ciências da Vida
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Os impactos das mudanças climáticas na megadiversidade Neotropical
A biodiversidade armazena informações sobre a origem e evolução da vida e pode fornecer respostas para muitos dos problemas da humanidade. Apesar de mudanças climáticas causadas por ação antrópica (caracterizadas pelo rápido aquecimento global e alterações nos padrões de precipitação) ameaçarem a biodiversidade, evidências esmagadoras são continuamente contestadas por políticas obscurantistas, e seus efeitos sobre a megadiversidade Neotropical são pouco entendidos. A investigação dos processos de adaptação evolutiva de populações naturais em resposta às pressões seletivas ambientais e climáticas é uma pergunta persistente e desafiadora. Em nosso projeto, usamos abordagens inovadoras integrando ferramentas ecológicas, moleculares e ambientais para investigar possíveis respostas às mudanças climáticas de populações naturais de lagartos (ectotérmicos dependentes de temperaturas locais) dos ameaçados mosaicos do gradiente ambiental Amazônia-Cerrado. Usando parâmetros fenotípicos de capacidades térmicas e demográficos de DNA genômico podemos buscar as respostas para questões como: Quais são as chances de populações de lagartos passarem por mudanças de distribuição geográfica para rastrear climas favoráveis? Algumas populações e regiões estão mais predispostas a passarem por ajustes adaptativos às novas condições ou, ao contrário, sofrer extinções locais? Quais as implicações desses processos para a conservação da biodiversidade?
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia
Manaus/AM
Recursos alocados: R$ 100.000,00
Área: Ciências da Vida
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Entendendo como mosquitos infectados pelo vírus da Dengue nunca ficam doentes
Apesar de muito diferentes, seres humanos e mosquitos possuem diversas características em comum. Por exemplo, nossas células são muito parecidas com a dos mosquitos e as duas são alvo de ataque pelo vírus da dengue. Apesar das similaridades, também existem diferenças, e uma delas é a capacidade de reagir e se defender da infecção viral. Nesse ponto, os mosquitos são muito mais eficientes e nunca ficam doentes quando infectados com Dengue. Dizemos que eles são tolerantes ao vírus. Queremos entender como isso acontece. Achamos que os mosquitos possuem uma forma muito particular de defesa, baseado em respostas antioxidantes muito eficientes. Nesse projeto vamos tentar inibir essa resposta. Se ela for importante mesmo, quando inibida, vai causar consequências ruins para os mosquitos, como perda de apetite, diminuição do número de picadas e até mesmo morte. Assim, chegaremos ao nosso objetivo maior: impedir que os mosquitos transmitam Dengue para as pessoas.

Universidade Federal de Santa Catarina
Florianópolis/SC
Recursos alocados:
R$ 100.000,00
Área: Ciências da Vida
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Investigação do CD38 como um novo alvo promissor para revelar moduladores seguros na dor neuropática
A dor crônica é um processo debilitante que atinge 38% da população mundial. Opioides são drogas viciantes para tratar a dor em diversas situações e seu uso pode levar a adicção e overdose, sendo responsáveis pela pior epidemia de dependência da história nos EUA. Recentemente, o Brasil teve aumento de 465% na prescrição dessas drogas. Existiria um processo diferente de intervenção na dor que levaria ao desenvolvimento de terapias que evitassem o uso de drogas altamente viciantes? O mecanismo da dor neuropática envolve o canal de cálcio canais de cálcio, TRPV1, regulado pelo metabolismo energético. A proteína CD38 é uma reguladora chave de processos de geração de energia celular e homeostase do cálcio com potencial papel nas ações dos opioides. Nosso objetivo é estabelecer uma nova estratégia, diferente da convencional, com foco na homeostase energética, tendo o CD38 como alvo potente para desenvolvimento de novos fármacos analgésicos.

Universidade Federal do Rio de Janeiro
Rio de Janeiro/RJ
Recursos alocados: R$ 100.000,00
Área: Ciências da Vida
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As origens da vida em terra firme: como algas terrestres microscópicas criaram os solos do planeta e deram origem às plantas terrestres
A colonização da terra firme é um dos eventos chave na história evolutiva da vida na Terra. As formas de vida mais complexas conhecidas evoluíram em terra: mamíferos, aves e plantas com flores. A vida terrestre também se desenvolveu em comunidades das mais diversas e ecologicamente complexas: os ecossistemas de florestas tropicais. Apesar da imensa importância científica da questão de como a vida colonizou a terra firme, pouco é conhecido sobre como e quando o processo aconteceu. Perguntas que permanecem para serem respondidas se relacionam à natureza das primeiras comunidades ecológicas terrestres, a origem dos solos biologicamente ativos e a origem das plantas terrestres que depois originaram às florestas atuais e ancestrais. Estamos lidando com algumas dessas questões, em especial como solos se originaram durante a colonização da terra firme por microrganismos fotossintetizantes e o testes experimentais de uma nova teoria sobre a origem das plantas terrestres a partir de algas carófitas terrestres simples.

Universidade Federal de Minas Gerais
Belo Horizonte/MG
Recursos alocados: R$ 96.000,00
Área: Ciências da Vida
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Doenças são a exceção e não a regra: Por que as plantas são imunes à maioria dos patógenos?
A maioria das plantas é resistente à maioria dos patógenos. Mesmo microrganismos que são devastadores a certas espécies de plantas normalmente falham ao colonizar outras. Esta observação é fascinante e levanta uma questão: como plantas naturalmente estabelecem resistência durável contra patógenos? O fenômeno em que todos os indivíduos de uma espécie são resistentes a todas às variantes de um determinado patógeno é denominado resistência de não-hospedeiro. Embora os princípios fundamentais do sistema imune vegetal tenham emergido nos últimos anos, mecanismos genéticos e moleculares da resistência de não-hospedeiro ainda são pouco conhecidos. Iremos investigar por que o patógeno do citrus Xanthomonas citri pv. citri é incapaz de infectar um painel de plantas não hospedeiras evolutivamente distantes para explorar a diversidade de mecanismos usados por plantas para limitar patógenos não adaptados. Esta pesquisa pode revelar fatores que determinam a especialização de hospedeiros em bactérias patogênicas.

ESALQ, Universidade de São Paulo
Piracicaba/SP
Recursos alocados: R$ 100.000,00
Área: Ciências da Vida
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Pontos de controle metabólicos e do DNA modulando a tolerância ao alumínio
A principal barreira para a produção sustentável de alimentos nos países em desenvolvimento é a acidez dos solos (pH≤ 5,5). Em tais condições, cátions de alumínio (Al) são solubilizados promovendo danos à estrutura do DNA e alterações na respiração mitocondrial em raízes de plantas. Intensivos esforços tem sido empregados para elucidar o papel do reparo no DNA e de ácidos orgânicos mitocondriais na geração de plantas tolerantes ao Al. Tomadas em separado, manipulações nos pontos de controle do DNA e do metabolismo mitocondrial não foram suficientes para a obtenção de plantas tolerantes ao Al. Assim, a presente proposta visa entender como mecanismos de reparo ao DNA podem ser acoplados ao funcionamento do metabolismo mitocondrial em plantas expostas ao Al. A elucidação dessas conexões contribuirá para a redução do uso de corretivos e fertilizantes, possibilitando práticas agrícolas sustentáveis e culminando na geração da próxima geração de materiais tolerantes ao Al.

Universidade Federal de Viçosa
Viçosa/MG
Recursos alocados: R$ 97.895,00
Área: Ciências da Vida
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Matemática

Teoria de regularidade para equações diferenciais parciais
A análise de equações diferenciais parciais (EDPs) é uma área bastante versátil da Matemática; atraente do ponto de vista abstrato — pela beleza e profundidade de suas questões fundamentais — encontra aplicações em diversas disciplinas, como a física, a biologia e a economia. Exemplos de suas aplicações encontram-se em tentativas de calcular a ‘idade da terra’, no estudo da aerodinâmica e em modelos de formação de opinião, por exemplo. A teoria de regularidade para EDPs é uma das mais finas e delicadas linhas de investigação acerca destes objetos. De maneira muito breve, esta teoria examina a estrutura de uma dada equação e, a partir de suas propriedades intrínsecas, revela características universais das soluções. Por exemplo, a elipticidade de uma equação garante que a derivada de suas soluções existe e é (um pouco mais do que) contínua. Nossos esforços se interessam pelas consequências da falha, ou ausência, destas propriedades intrínsecas. Ou seja: o que podemos dizer acerca das soluções de uma equação quando hipóteses muito básicas e universalmente aceitas são removidas? Como os gráficos das soluções se comportam? Eles admitem cúspides? Admitem quinas? A ‘aceleração’ destes gráficos fica arbitrariamente alta sem mais nem menos?

Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
Rio de Janeiro/RJ
Recursos alocados: R$ 100.000,00
Área: Matemática
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Teoria do Calibre e Holonomia Especial
Todos estamos familiarizados de como a Matemática é útil para descrever o mundo físico, mas existe uma outra relação entre estas duas disciplinas menos conhecida do público em geral: a de que a Física também pode ser muito útil para investigar problemas puramente matemáticos – mais especificamente, em Geometria.
Imagine-se um líquido que escorre num tubo. Está claro que a geometria do tubo influencia a forma como isso ocorre. Tal é um exemplo claro de como a Matemática (a geometria do tubo) influencia a Física (modo como o líquido escorre), mas, caso a geometria do tubo seja desconhecida, podemos tentar fazer o procedimento inverso, isto é, observar como um fluido escorre para tentar inferir a geometria do tubo. Este é um exemplo de como a Física pode ser útil para iluminar a nossa compreensão de um objeto matemático – neste caso, a geometria do tubo.
A ideia principal por trás da minha pesquisa não é muito mais complexa da que fica esclarecida por esta analogia. Eu uso certas equações inspiradas na Física, modelando uma espécie de campos eletromagnéticos não-lineares, na esperança de entender quais propriedades físicas desses campos são puramente resultantes da geometria na qual se propagam.

Universidade Federal Fluminense
Niterói/RJ
Recursos alocados: R$ 100.000,00
Área: Matemática
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O conjunto de Mandelbrot e suas cópias
O conjunto de Mandelbrot classifica o comportamento dos polinômios quadráticos (i.e. é o locus de conexidade desta família), e é um objeto central na dinâmica complexa. Um fato intrigante é a presença de cópias do Mandelbrot no próprio conjunto e em muitos outros planos de parâmetros. No próprio conjunto de Mandelbrot existem dois tipos diferentes de cópias: as primitivas (com cúspide), e as satélites (sem cúspide). Este projeto estuda as cópias satélites, e em particular se estas são mutualmente parecida em escalas infinitesimais (i.e. se são quaseconformemente homeomorfas).
O conjunto de Mandelbrot também aparenta surgir no plano de parâmetros de uma família de objetos que nem sequer são funções (são correspondências holomorfas), significativos por serem cruzamentos entre objetos que vivem em mundos ligeiramente diferentes (mapas quadráticos e o grupo modular). Quero demonstrar que este ‘aparente’ Mandelbrot é de fato uma cópia do Mandelbrot (i.e. existe um homeomorfismo entre este conjunto e o Mandelbrot).

Universidade de São Paulo
São Paulo/SP
Recursos alocados: R$ 100.000,00
Área: Matemática
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Fibrações Lagrangianas em topologia simplética e mirror symmetry
Geometria simplética é um tipo de geometria que emergiu da teoria física chamada mecânica Hamiltoniana. Essa relação com a física se sofisticou e, de conceitos físicos em teoria das cordas, surgiu a ideia matemática de mirror symmetry. Esta estabelece uma profunda relação entre duas diferentes áreas da matemática: geometria algébrica e geometria simplética. Nesta relação, os objetos centrais da estrutura correspondente ao lado simplético chamam-se subvariedades Lagrangianas. Para destacar a importância destas, enuncio o credo de Weinstein: “Tudo é uma subvariedade Lagrangiana”, implicando que deve-se “expressar objetos e construções em geometria simplética como
subvariedades Lagrangianas”. Nosso projeto consiste em estudar como estas Lagrangianas se comportam em família — fibrações Lagrangianas; relações com a teoria de Gromov-Witten; bem como o ambicioso projeto de classificá-las em determinado espaço.

Universidade Federal do Rio de Janeiro
Rio de Janeiro/RJ
Recursos alocados: R$ 100.000,00
Área: Matemática
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Física

Entendendo a teoria de cordas e suas teorias duais
Um problema em aberto da Física é o entendimento da gravitação quântica. A gravitação é descrita pela teoria da relatividade geral e descreve estruturas de grande escala como galáxias. A mecânica quântica descreve fenômenos microscópicos e as outras interações conhecidas da natureza como a interação eletromagnética. Como unificar essas duas teorias de maneira realista ainda é desconhecido. Uma proposta é a teoria de cordas, que é uma teoria consistente de gravidade quântica. Nesta teoria, todas as partículas elementares são pequenas cordas vibrando no espaço-tempo. Ao colocar uma teoria de cordas em uma caixa, verifica-se que ela pode ser reconstruída apenas com a informação contida na fronteira. Esse fenômeno é conhecido como holografia e ocorre em teorias gravitacionais. Neste projeto, desenvolveremos novas técnicas para entender a holografia e a gravitação quântica calculando analiticamente todas as interações de algumas teorias de cordas e teorias de campos na fronteira, como N=4 Super-Yang-Mills.

Instituto Internacional de Física – Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Natal/RN
Recursos alocados: R$ 100.000,00
Área: Física
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Inteligência Artificial no Large Hadron Collider
A física de altas energias estuda os componentes mais fundamentais da matéria, as partículas elementares, e a maneira como elas interagem entre si. Para ter acesso a esses objetos extremamente pequenos, são necessárias grandes densidades de energia. O Large Hadron Collider (LHC) é o maior acelerador de partículas em operação e as colisões entre prótons nos permitem estudar distâncias tão pequenas quanto um bilionésimo de bilionésimo de metro. A partir de 2026, esses detectores irão produzir cerca de 60 GB/s de dados, fluxo de dados extremamente dificíl de ser analisado com as técnicas computacionais atuais. A descoberta de novas técnicas de inteligência artificial é capaz de fornecer uma solução para esse dilema e ajudar a rua explorar a verdadeira natureza da matéria.

Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho
São Paulo/SP
Recursos alocados: R$ 96.000,00
Área: Física
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Simulação quântica com sistemas atômicos
A descrição de um sistema de muitas partículas é uma tarefa muito complexa até para os maiores supercomputadores. A simulação quântica é um campo de pesquisa excepcionalmente vívido abrangendo várias áreas da física, que vão da física atômica, molecular e óptica, à física da matéria condensada, nuclear, gravitacional e de alta energia, bem como à ciência da informação quântica. O objetivo da simulação quântica é abordar sistemas físicos relevantes, ainda não resolvidos, “sintetizando-os” em plataformas quânticas experimentais, de modo a medir diretamente as propriedades desses modelos. Essa abordagem é bem resumida pelas próprias palavras de Feynman: “A natureza não é clássica, e se você quiser fazer uma simulação da natureza, é melhor fazer mecânica quântica, é um problema maravilhoso, porque não parece tão fácil”. Buscamos, assim, descobrir rotas para descrever simuladores quânticos genéricos com átomos que apresentem propriedades eletrônicas exageradas, os átomos de Rydberg.

Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Natal/RN
Recursos alocados: R$ 100.000,00
Área: Física
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Astrofísica com multi-mensageiros e a origem dos raios cósmicos mais energéticos do universo
Os últimos anos testemunharam a abertura de uma nova era na exploração do universo: a astrofísica com multi-mensageiros. Pela primeira vez, nossas informações sobre o cosmos provém, não apenas dos fótons, mas de outros mensageiros celestes: as ondas gravitacionais e os neutrinos. Processos astrofísicos antes inacessíveis podem ser finalmente estudados, abrindo a possibilidade de respondermos questões fundamentais, resistentes ao teste do tempo. Uma delas diz respeito à origem dos raios-cósmicos: partículas carregadas altamente energéticas, que permeiam o cosmos, e cuja existência desafia nossa compreensão. Os neutrinos, uma partícula elementar resultante das interações destes raios-cósmicos, parecem guardar a chave para a questão, mas sua difícil detecção nos manteve em suspenso — até agora. Combinar a informação proveniente destes neutrinos astrofísicos recém-descobertos com catálogos de fontes observadas nas diversas bandas do espectro, numa coordenação global possibilitada pela ciência de dados, delineia a estrada mais promissora para resolver este mistério secular da astrofísica.

Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas
Rio de Janeiro/RJ
Recursos alocados: R$ 100.000,00
Área: Física
Currículo lattes  | ORCID