Thamyres Sabrina Gonçalves

Ciências da Vida

Thamyres Sabrina Gonçalves descende do povo indígena Xacriabá, originário do norte de Minas Gerais, e também é neta do guerreiro negro seu João Boagente. A ancestralidade é uma presença constante em sua vida. Mãe da Sofia, ela credita à sabedoria indígena sua percepção de toda criança como responsabilidade de todo adulto, como é costume entre os povos originários. 

Gonçalves começou sua jornada como geógrafa na Universidade Estadual de Montes Claros, seguindo para o mestrado em biologia da conservação e ciência florestal na Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, onde também obteve o doutorado em produção vegetal. Seu trabalho transcende as fronteiras acadêmicas da fitogeografia, pedologia e ecologia. Analisando vestígios de micro carvão das ilhas florestais nas turfeiras da Serra do Espinhaço, Gonçalves reconstrói a imagem de florestas do passado e suas conexões com a floresta do presente e da ocupação humana neste território desde tempos imemoriais. 

Além da pesquisa, também leciona, sempre defendendo uma ciência antirracista e colaborativa, focada em trazer cada vez mais mulheres negras e indígenas ao protagonismo nos estudos científicos. Fora do perímetro acadêmico, ela encontra sua essência na leitura e na escrita, tocando acordes no violão e jogando handebol. A geógrafa também integra o Coletivo de Mulheres Negras Maria Cecília.

Chamadas

Chamada conjunta de apoio a pós-docs negros e indígenas em ecologia nº 1
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Projetos

O que podem os carvões dizer sobre a origem e evolução fitogeográfica das ilhas florestais associadas às turfeiras da Serra do Espinhaço?
Ciência / Ciências da Vida

Desde que os portugueses invadiram o Brasil a vegetação os intrigou. De lá pra cá, diversos naturalistas, quase sempre homens brancos, se propuseram a tentar entender a fitogeografia brasileira. Sempre os chamou atenção quando florestas ocorrem ilhadas em meio a formações campestres, como no caso dos Capões de mata, que ocorrem nas linhas de drenagem dos rios que cortam o Cerrado na mais charmosa cordilheira de montanhas tropicais do Brasil. Eu, uma mulher descendente de indígenas e africanos também me encantei pelo naturalismo e por essas ilhas florestais, quase sempre associadas a solos orgânicos de ecossistemas chamados de turfeiras. Há alguns anos venho pesquisando sobre a reconstituição paleoambiental dessas paisagens para tentar entender melhor como se formaram. A floresta é parte da nossa história e ela nos deixa de herança muitos vestígios do tempo. Dentre eles, fragmentos de carvão de árvores que já viveram ali. A hipótese desse projeto é que analisando micro carvões extraídos do solo acumulado ao longo de milhares de anos podemos desvendar o passado da floresta e, quem sabe, um pouco mais sobre a ocupação humana nas Américas.  

Recursos investidos

Grant Serrapilheira 2023: R$ 100.000,00
Grant Faperj 2023: R$ 690.000,00

Instituições

  • Museu Nacional/UFRJ