Programa de Formação em Ecologia Quantitativa
Programa de Formação em Ecologia Quantitativa
A Formação em Ecologia Quantitativa é um treinamento interdisciplinar que integra diferentes tradições da ciência na busca por respostas a perguntas ecológicas complexas. O programa funciona como um espaço para cultivar a liberdade de exploração científica e fortalecer a autonomia intelectual de jovens pesquisadores em um momento decisivo de suas trajetórias: a etapa anterior ao doutorado.O programa se situa na interseção de diferentes campos do conhecimento, integrando estatística, matemática, ciência de dados e computação à pesquisa em ecologia. É um treinamento intensivo, com carga horária de aproximadamente 380 horas, e participação de palestrantes e professores atuantes no Brasil e no exterior.
Estrutura do programa
A Formação é gratuita, presencial e organizada em duas etapas complementares:
- Curso de verão (janeiro e fevereiro): reúne até 30 participantes para um treinamento imersivo centrado na formulação de perguntas científicas e na exploração de ferramentas quantitativas (como modelagem estatística, modelagem matemática, sensoriamento remoto e aprendizado de máquina). A etapa inclui duas semanas de imersão científica, com seminários, mentorias com pesquisadores de referência do Brasil e do exterior, além de oficinas sobre comunicação científica.
- Curso de campo (julho): até 16 participantes da primeira fase (inclusive de edições anteriores) são selecionados para uma imersão de três semanas em um bioma brasileiro. Em equipes transdisciplinares, os alunos vivenciam a prática da pesquisa de ponta a ponta, articulando a observação in loco, a história natural e o desenho experimental, análise e síntese de dados.
A conexão entre os dois módulos permite aos participantes vivenciar etapas fundamentais do processo científico. Ao aproximar a modelagem teórica, o rigor do desenho experimental e a observação de campo, o programa constrói pontes entre diferentes formas de investigar a natureza. Essa aproximação permite abordar problemas ecológicos complexos por múltiplos ângulos, conectando linguagens, métodos e saberes em uma visão abrangente e colaborativa da ciência.
No longo prazo, buscamos consolidar uma rede diversificada, autônoma e fortemente conectada de jovens cientistas — capacitados a colaborar em grupos heterogêneos, cruzar fronteiras disciplinares e impulsionar a inovação na pesquisa ecológica.
Para quem é a Formação?
O programa destina-se a pessoas em etapas prévias ao doutorado (que já tenham concluído a graduação, que estejam cursando o mestrado ou que já tenham concluído o mestrado) vinculadas a instituições de ensino superior do Brasil, procedentes de todas as áreas do conhecimento.
É uma oportunidade de desenvolvimento para quem deseja realizar uma transição de área, aproximar-se da ecologia ou consolidar um arcabouço quantitativo e integrado em sua trajetória de pesquisa.
Buscamos estudantes com trajetórias acadêmicas diversas, mas que tenham em comum a curiosidade e o interesse em se aprofundar numa grande variedade de tópicos e abordagens metodológicas em ecologia.
É fundamental que os participantes tenham perfil colaborativo e disposição para o trabalho em equipe. Valorizamos pessoas abertas a cruzar fronteiras disciplinares e dispostas tanto a aprender novas linguagens e metodologias quanto a compartilhar seus próprios saberes em uma troca horizontal.
Coordenação científica
2021-2022: Ricardo Martínez-García (Center for Advanced Systems Understanding – CASUS) e (Helmholtz-Zentrum Dresden-Rossendorf – HZDR)
2022-2025: Flávia Marquitti (Unicamp)
2025-2026: Caio Mattos (UFSC/Instituto Relva)
No ciclo de 2026-2027, a coordenação científica é conduzida por um comitê formado por Bianca Rius (CRBE/Toulouse), Raul Costa-Pereira (Unicamp) e Thiago Rangel (Universidade Federal de Goiás).
Edições anteriores
As três primeiras edições aconteceram em parceria com o Instituto Sul-Americano para Pesquisa Fundamental (ICTP-SAIFR). Por causa da pandemia da Covid-19, a primeira edição aconteceu em formato de workshop, totalmente remoto, em uma versão mais curta, de 5 a 30 de julho de 2021.
Já a segunda e a terceira edições aconteceram em formato presencial, na sede do ICTP-SAIFR, em São Paulo. A segunda edição teve duração de cinco meses, entre julho e novembro de 2022.
A partir da edição de 2023, o programa passou a contar com dois módulos: um curso de verão, em janeiro e fevereiro, e um curso de campo durante o mês de julho.
Confira os professores e os alunos selecionados das edições de 2021, 2022, 2023, 2024, 2025 e 2026 do programa.
Confira também um pouco das edições do curso de campo das edições de 2023, 2024 e 2025.
Depoimentos de ex-alunos

Maria Napolitani
Mestranda em genética pela UFRJ, participou da edição de 2024 da Formação
A interdisciplinaridade do curso foi essencial para fomentar a minha proatividade como estudante e futura pesquisadora. Conheci professores e estudantes de diferentes áreas do conhecimento, de lugares de dentro e de fora do Brasil, e diferentes ferramentas para quantificar e estudar a biodiversidade, desde fórmulas matemáticas até relatos sobre experimentos de campo e maneiras criativas de testar hipóteses. Finalizei o curso com um modelo matemático incorporado à minha dissertação e com conexões e ideias que me permitem criar caminhos não convencionais ao longo da minha formação.

Guilherme Couto
Mestre em modelagem computacional pela UFJF, participou da edição de 2026 da Formação
Eu não fazia muita ideia do quanto de aplicações possíveis de computação havia na ecologia. Passei a ter clareza de que é possível, por exemplo, utilizar aprendizado de máquina para classificar tipos de vegetação, ou mesmo modelar a conectividade de ecossistemas usando teoria dos grafos para entender mais profundamente a dinâmica de animais. Inclusive, aprendi muito de estatística com o pessoal da ecologia e utilizei esses aprendizados na minha dissertação de mestrado.

Carlene Gomes
Mestranda em ecologia pela UFG, participou da edição de 2024 da Formação
Depois de participar do programa, as perguntas ecológicas ganharam uma dimensão ainda mais quantitativa. Ganhei confiança para explorar temas e ferramentas novas para mim e passei a enxergar processos e padrões em diferentes escalas. Compartilhar ideias e aprender com pessoas de diversas formações, trajetórias e perspectivas também foi parte fundamental da experiência e ajudou a transformar meu olhar sobre a ecologia.

Renan Brito
Doutorando em geografia física na USP, participou da edição de 2026 da Formação
Como alguém com uma trajetória muito ligada às ciências da Terra, participar de um grupo com formações diversas me mostrou, na prática, quão importante é aproximar diferentes áreas na construção de projetos científicos. Ao desenvolver projetos completos, pude contribuir com meu olhar e, ao mesmo tempo, aprender novas técnicas e habilidades. Foi uma experiência que ampliou minha forma de enxergar as possibilidades de colaboração científica e que já vem encontrando utilidade direta na minha trajetória e rotina profissional.

Pedro Paulo Souza Lopes
Mestre em ecologia pela UFRN, participou da edição de 2025 da Formação
Quando eu decidi investir na carreira científica, sentia que tinha boas perguntas, mas quase nunca um meio para respondê-las. O curso de formação me ajudou a ampliar meus horizontes e a conhecer diferentes metodologias, além de me apresentar formas variadas de fazer e pensar ciência.
