Israel de Jesus Sampaio Filho

Ciências da Vida

Criado em Feira de Santana, Israel Sampaio Filho credita boa parte de sua curiosidade científica a uma tarefa doméstica: todos os dias, ainda criança, precisava regar as plantas de casa. Décadas depois, aquela rotina se transformou em carreira. Engenheiro florestal pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, com formação complementar em ecologia na Université Toulouse III, ele é mestre em clima e ambiente e doutor em ciências de florestas tropicais pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia.

A atenção antiga às plantas hoje orienta uma pergunta bem maior. As árvores gigantes da Amazônia guardam grande parte do carbono da floresta e ajudam a regular o clima do planeta, mas diante de secas cada vez mais intensas, o cientista quer entender por que algumas árvores sobrevivem enquanto outras morrem rapidamente. Sua hipótese é que as secas prolongadas comprometem o metabolismo das plantas e levam a um estado de vulnerabilidade chamado pelo pesquisador de dendropausa.

Seu trabalho, contudo, não se esgota nas hipóteses científicas sofisticadas. Ciência de qualidade também se faz com comunicação científica criativa. Foi por isso que o pesquisador reuniu mais de 70 amigos, conhecidos, estudantes, músicos e entusiastas para realizar um verdadeiro musical amazônico em 2023. A performance, que transformou sua pesquisa em coreografia e música, recebeu o prêmio internacional Dance Your PhD, da revista Science, na categoria Biologia.

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Este projeto investigará se a resposta reside em um mecanismo ainda pouco explorado: os hormônios vegetais. A hipótese é a de que as secas prolongadas possam comprometer a produção do ácido abscísico (ABA), hormônio responsável por controlar a perda de água pelas árvores. Caso esse sistema deixe de funcionar, a árvore entraria em um estado chamado “dendropausa”, o que a tornaria muito mais vulnerável à morte.

Para testar essa premissa, serão estudadas árvores de diferentes portes em experimentos de seca natural e induzida na Amazônia. Ao relacionar clima, hormônios e a sobrevivência das árvores, a pesquisa poderá revelar um novo mecanismo que explica a mortalidade das gigantes da Amazônia e aprimorar as previsões sobre o futuro da floresta diante das mudanças climáticas.
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Projetos

O estresse climático pode desencadear uma “dendropausa” fisiológica que leve a um risco aumentado de mortalidade em árvores gigantes da Amazônia?
Ciência / Ciências da Vida

As árvores gigantes da Amazônia armazenam grande parte do carbono da floresta e ajudam a regular o clima do planeta. No entanto, diante de secas cada vez mais intensas, algumas sobrevivem, enquanto outras morrem rapidamente. Por quê?

Este projeto investigará se a resposta reside em um mecanismo ainda pouco explorado: os hormônios vegetais. A hipótese é a de que as secas prolongadas possam comprometer a produção do ácido abscísico (ABA), hormônio responsável por controlar a perda de água pelas árvores. Caso esse sistema deixe de funcionar, a árvore entraria em um estado chamado “dendropausa”, o que a tornaria muito mais vulnerável à morte.

Para testar essa premissa, serão estudadas árvores de diferentes portes em experimentos de seca natural e induzida na Amazônia. Ao relacionar clima, hormônios e a sobrevivência das árvores, a pesquisa poderá revelar um novo mecanismo que explica a mortalidade das gigantes da Amazônia e aprimorar as previsões sobre o futuro da floresta diante das mudanças climáticas.

Recursos investidos

Grant 2026: R$ 500.000,00 (R$ 400.000,00 + R$ 100.000,00 de bônus opcional destinados à integração e formação de pessoas de grupos sub-representados na ciência)

Instituições

  • Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia