17/09/2026 03:18

Especial ‘Águas Partidas’ reúne cientistas e jornalistas e investiga ameaças à água em biomas da América do Sul

  • Divulgação científica

Projeto reúne reportagens e vídeos originados de parceria entre Serrapilheira e El Clip em apoio a comunicadores de países da região

Foto: Luis Ushirobira/InfoAmazonia

O Instituto Serrapilheira e o Centro Latinoamericano de Investigación Periodística (El Clip) lançam nesta quinta-feira (17) o especial “Águas partidas”, projeto de investigação jornalística que busca mostrar as mudanças que afetam o ciclo da água – do oceano e rios às chuvas – em biomas da América do Sul. O material é fruto de um edital que deu apoio a comunicadores de diferentes países para elaboração de pautas em conjunto com cientistas da área de ecologia e produção de reportagens.

O projeto reúne 14 reportagens multimídia, com material em texto, vídeo, jogo interativo e gráficos. As produções são assinadas por jornalistas do Brasil, Colômbia, Equador, Peru, Uruguai e Venezuela, e publicadas em parceria com os veículos Mongabay Latam, Climate Tracker, CLIP, InfoAmazônia, Correio do Povo, Correo del Caroní, Búsqueda, Ineruc, Varadouro, El Espectador, Carta Amazônia, Natura Films e BlaBlaLab. 

Fruto de uma experiência que reuniu jornalistas e cientistas em um laboratório colaborativo para obtenção de dados e construção das pautas, as histórias mostram como as ações humanas têm alterado a oferta e o ciclo de água – usada para abastecer cidades, plantações e gerar energia – e as consequências dessas mudanças.

Para entender esse impacto, é preciso lembrar que o percurso da água na América do Sul faz parte de um processo interligado. Funciona assim: a água que evapora do oceano Atlântico é empurrada pelos ventos e segue em direção à Amazônia, onde despeja suas chuvas. Na floresta, as gotas evaporam e as árvores geram umidade, e as nuvens carregadas voltam a se deslocar. Em seguida, liberam água ao norte dos Andes, onde nascem os rios que descem para alimentar o Amazonas, até desaguar novamente no Atlântico. Um processo que beneficia não só a Amazônia, mas também biomas como o Cerrado, o Pampa e o Pantanal, com repercussão também nos países vizinhos. 

“Os países sul-americanos dependem muito mais uns dos outros do que imaginamos. Essa ‘rota hidroclimática Andes-Amazônia-Atlântico’ sustenta milhões de pessoas pelos serviços ecossistêmicos que presta, e uma perturbação em um ponto pode gerar efeitos em todo o sistema. Por isso, políticas de desmatamento e gestão hídrica em um país afetam o clima dos vizinhos. Este laboratório busca explorar formas de narrar essa co-dependência com histórias produzidas por jornalistas em parceria com jovens cientistas, alunos do programa de Formação em Ecologia Quantitativa, que trabalharam juntos por nove meses na apuração e no processamento de dados científicos”, afirma a diretora do Programa de Jornalismo e Mídia do Serrapilheira, Natasha Felizi. 

O especial conta histórias como da dourada, peixe migratório que ajuda a compreender as crises dos rios da Amazônia; os efeitos de eventos climáticos extremos no rio Acre; os conflitos pela água às margens do rio São Francisco; os impactos deixados pela mineração na água que abastece uma comunidade indígena; a relação entre a Amazônia e as chuvas no Uruguai, entre outros temas.

Um dos destaques multimídia é o Jogo Flua, que convida o usuário a viajar como uma gota de água para conhecer como o Atlântico, a Amazônia e os Andes estão conectados. O site traz ainda o documentário Kimsacocha, um páramo em risco, que conta a história do páramo, ecossistema misterioso no alto dos Andes e de onde nascem muitos dos grandes rios que deságuam no Amazonas. O filme mostra o papel protagonista que um único páramo desempenha na vida de milhões de pessoas.

As produções fazem parte da Chamada pública para laboratório colaborativo de comunicação e ciência, lançada em 2025. Antes da elaboração das reportagens, os comunicadores selecionados passaram por aulas online com cientistas e outros jornalistas sobre temas como jornalismo de dados e ecologia, além de um workshop em Araras (Petrópolis), no interior do Rio de Janeiro, para construção coletiva das pautas. O treinamento foi conduzido pelo  El Clip, associação sediada na Costa Rica voltada a investigações jornalísticas colaborativas na América Latina, e pela equipe do Programa de Formação em Ecologia Quantitativa, iniciativa do Serrapilheira que busca formar pesquisadores para estudos em ecologia com apoio de ferramentas da computação e da matemática. 

Essa é a segunda vez que o Serrapilheira e o El Clip realizam um edital em apoio a jornalistas. A primeira edição resultou no especial Laços Amazônicos, sobre os impactos de ameaças como o garimpo e o desmatamento na biodiversidade da Amazônia.

O resultado pode ser conferido aqui.

 

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