Gabriel Cohen

Ciências da Vida

A pesquisa científica deixou o biólogo Gabriel Cohen ainda mais próximo da irmã musicista. Depois de meses gravando, decodificando e interpretando vocalizações da tartaruga-da-amazônia, o cientista abriu um novo e interminável front de conversas sobre qualidade de áudio, acústica e métodos de captação com a caçula da família. 

A trajetória do biólogo começa com a graduação em ciências biológicas na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, e o mestrado em zoologia na Universidade de São Paulo. Seu trabalho sobre a vocalização dos répteis, no doutorado em biologia evolucionária na Universidade de Zurique, rendeu ao cientista o Prix Schläfli em biologia, da Academia Suíça de Ciências, em 2024. Agora, o biólogo tenta entender se as tartarugas mudam seu comportamento vocal em resposta ao ambiente social, e se chegam a aprender novos sons com a convivência entre populações diferentes. 

Entre os bate-papos com a irmã e a supervisão da conversa de tartarugas, o biólogo ainda sustenta uma pequena coleção de orquídeas. Cohen garante que sua agenda ainda reserva generosos momentos para manter o equilíbrio entre mente e corpo com a corrida.

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Neste projeto, utiliza-se a tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa) como modelo para investigar essa questão. A partir de um conjunto amplo de gravações acústicas, de técnicas de aprendizado de máquina e de experimentos comportamentais — incluindo playback de sons e a formação de grupos mistos em populações isoladas —, busca-se testar se essa espécie é capaz de alterar de forma flexível o seu comportamento vocal e, até mesmo, aprender novos sons. Caso essa hipótese se confirme, haverá evidências de que a plasticidade vocal pode ser muito mais antiga do que se imagina, e não uma exclusividade de aves e de mamíferos.

Mais do que descrever os sons que as tartarugas produzem, a intenção é compreender os mecanismos por trás dessas mudanças: essas alterações ocorrem em resposta ao ambiente social? São influenciadas pela convivência com indivíduos de outras populações? Existem regras simples que governam a variação vocal entre grupos isolados? Ao combinar grandes volumes de dados bioacústicos com algoritmos de inteligência artificial, o estudo busca revelar padrões ocultos que possam apontar para uma capacidade de aprendizagem vocal até agora negligenciada em répteis.

Com isso, espera-se não apenas ampliar o conhecimento sobre a comunicação das tartarugas, mas também elucidar um capítulo fundamental da evolução da voz entre os animais terrestres — e, possivelmente, possibilitar novos passos para compreender as origens da nossa própria capacidade de falar.
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Projetos

Como a comunicação vocal evoluiu nos animais terrestres? Tartarugas podem nos dar dicas.
Ciência / Ciências da Vida

A capacidade de produzir e modificar sons para se comunicar é uma das características mais impressionantes da vida animal e está na raiz da nossa própria linguagem. No entanto, como essa habilidade surgiu ao longo da evolução? A maior parte do conhecimento sobre comunicação vocal provém de aves e de mamíferos — grupos que compartilham um ancestral comum com os répteis, mas que divergiram há centenas de milhões de anos. Para entender como a flexibilidade vocal — a base da aprendizagem de novos sons — evoluiu entre os vertebrados terrestres (amniotas), é necessário observar justamente os parentes menos estudados: os répteis não aviários.

Neste projeto, utiliza-se a tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa) como modelo para investigar essa questão. A partir de um conjunto amplo de gravações acústicas, de técnicas de aprendizado de máquina e de experimentos comportamentais — incluindo playback de sons e a formação de grupos mistos em populações isoladas —, busca-se testar se essa espécie é capaz de alterar de forma flexível o seu comportamento vocal e, até mesmo, aprender novos sons. Caso essa hipótese se confirme, haverá evidências de que a plasticidade vocal pode ser muito mais antiga do que se imagina, e não uma exclusividade de aves e de mamíferos.

Mais do que descrever os sons que as tartarugas produzem, a intenção é compreender os mecanismos por trás dessas mudanças: essas alterações ocorrem em resposta ao ambiente social? São influenciadas pela convivência com indivíduos de outras populações? Existem regras simples que governam a variação vocal entre grupos isolados? Ao combinar grandes volumes de dados bioacústicos com algoritmos de inteligência artificial, o estudo busca revelar padrões ocultos que possam apontar para uma capacidade de aprendizagem vocal até agora negligenciada em répteis.

Com isso, espera-se não apenas ampliar o conhecimento sobre a comunicação das tartarugas, mas também elucidar um capítulo fundamental da evolução da voz entre os animais terrestres — e, possivelmente, possibilitar novos passos para compreender as origens da nossa própria capacidade de falar.

Recursos investidos

Grant 2026: R$ 550.000,00 (R$ 450.000,00 + R$ 100.000,00 de bônus opcional destinados à integração e formação de pessoas de grupos sub-representados na ciência)

Instituições

  • Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia