João Pedro Ramos

Matemática

Carioca e filho de uma ‘família das exatas’, João Pedro Ramos é matemático pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, e mestre em matemática pelo Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada. Com apenas vinte anos, encarou a aventura de embarcar para a Alemanha e conquistar o título de doutor em análise harmônica na Universidade de Bonn. Passou os nove anos seguintes circulando por universidades europeias, e tem três períodos de pós-doutorado: o primeiro no Brasil, pelo IMPA, e o segundo e terceiro na Suíça, no ETH Zürich e na Ecole Polytechnique Fédérale de Lausanne, além de uma passagem como professor na Universidade de Lisboa. 

Para o matemático, as boas ideias raramente surgem na mesa de trabalho. É crucial entrar em contato com ideias de outros cientistas, preferencialmente em uma mesa de bar. Foi assim que surgiu seu primeiro artigo, em colaboração com o matemático Mateus Sousa: uma conversa de boteco. É o interesse pelo que foge do previsível que orienta sua pesquisa. Ramos se pergunta quanta informação é, de fato, necessária para medir um sistema. Quando necessário, o pesquisador tem uma analogia mais pragmática do seu trabalho: quantas medidas bastam para reconstruir um áudio de WhatsApp, e como mandar esse áudio com mais qualidade e menos dados? 

O xadrez ocupa boa parte de seu tempo fora da matemática: o cientista gosta tanto de jogar quanto de acompanhar partidas. A academia também faz parte da rotina, assim como os passeios com os cachorros, um hábito quase sagrado que costuma compartilhar com sua esposa, e também matemática. Já a torcida pelo Vasco acrescenta uma dose menos tranquila ao cotidiano. Ramos continua fiel ao time e ciente de que matemática e cálculos de probabilidade são insuficientes diante da performance vascaína, sempre surpreendente.

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Projetos

Quanta informação precisamos para prever o comportamento de uma onda?
Ciência / Matemática

Quase nunca observamos um sistema em sua totalidade: medimos um sinal em alguns poucos pontos do espaço e em determinados instantes e, a partir daí, tentamos descrever o todo. Este projeto investiga quanta informação é, de fato, necessária. As ondas — sejam de água, de luz, de som, ou as ondas quânticas da equação de Schrödinger — são o foco central. A hipótese é que um pequeno conjunto de medidas esparsas já contenha a onda inteira: ao conhecê-la em pontos isolados e bem escolhidos, seria possível reconstruir toda a sua evolução. Para testar isso, o projeto une duas áreas da matemática que se desenvolveram separadamente: as fórmulas de interpolação de Fourier, oriundas de um trabalho premiado com a Medalha Fields em 2022, e os princípios de continuação única para equações diferenciais. Se a conjectura se provar verdadeira, ela mudará o que significa “observar” um fenômeno e abrirá caminho para reconstruir e simular sistemas físicos a partir de pouquíssimos dados.

Recursos investidos

Grant 2026: R$ 550.000,00 (R$ 450.000,00 + R$ 100.000,00 de bônus opcional destinados à integração e formação de pessoas de grupos sub-representados na ciência)

Instituições

  • Instituto de Matemática Pura e Aplicada