Nascido e criado no Distrito Federal, filho de uma dona de casa e um trabalhador da construção civil, José Pedro Cavalcante Viana foi o primeiro da família a concluir uma graduação. Biólogo pela Faculdade Anhanguera de Brasília, o cientista também é mestre e doutor em ecologia pela Universidade de Brasília. Como pesquisador negro, o cientista acumula pioneirismo, já que tem um segundo doutorado em andamento, conquista extremamente rara no país. A segunda titulação também ocorre na UnB, em patologia molecular.
Sua trajetória reflete mais do que a busca pela resposta de uma questão difícil, exprime a vontade de aproximar duas áreas normalmente estudadas separadamente. Um impulso que também aparece fora do laboratório: Viana monta quebra-cabeças e, mais recentemente, começou a criar peças de impressão 3D, sobretudo modelos biológicos e representações de insetos e microrganismos. Observar os detalhes, entender como as partes se encaixam e transformar ideias abstratas em objetos concretos é um hobby que, no fundo, revela sua forma particular de fazer ciência.
A pergunta que hoje conduz sua pesquisa nasceu de uma conversa à noite com a esposa, que também trabalha com microrganismos associados a insetos: microrganismos invisíveis podem ajudar uma espécie invasora a conquistar novos ambientes? E o que acontece com as espécies nativas quando vírus e bactérias entram nessa disputa? Viana acompanha a mosca Zaprionus tuberculatus, que se espalhou rapidamente pelo Brasil, e combina estudos de campo, experimentos e análises dos vírus e bactérias associados ao inseto para entender seus efeitos sobre sobrevivência, reprodução e interação com espécies nativas. Além da pesquisa, leva o tema das espécies invasoras a estudantes da rede pública do DF, mostrando como o fenômeno está presente no cotidiano ao redor deles.
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Para isso, serão analisados os microrganismos presentes em populações da mosca e conduzidos experimentos para avaliar seus efeitos sobre a sobrevivência, a reprodução e a interação com espécies nativas. O objetivo é determinar se essas redes invisíveis de microrganismos podem favorecer a espécie invasora ou prejudicar as espécies locais e, assim, revelar um mecanismo ainda pouco considerado nas invasões biológicas.
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