27/08/2026 01:56

Serrapilheira abre inscrições para programa que une ecologia, matemática e computação para formar jovens cientistas

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Programa de Formação em Ecologia Quantitativa terá aulas no Rio de Janeiro, semana de imersão com especialistas internacionais, hackathon e etapa de pesquisa de campo

Turma de 2026 durante a primeira semana do curso. Foto: Diego Padilha

O Instituto Serrapilheira lança nesta quinta-feira (27) uma nova oportunidade para jovens pesquisadores interessados em atuar na área da ecologia com uso de ferramentas quantitativas da computação e matemática. É a 7ª edição do Programa de Formação em Ecologia Quantitativa, iniciativa gratuita que tem como objetivo preparar futuros cientistas para lidar com grandes questões da ecologia. Serão selecionados 30 estudantes que já concluíram a graduação ou estão no mestrado para participar do programa, composto por duas etapas: um curso teórico de verão no Rio de Janeiro, e um curso de campo de inverno em um bioma brasileiro. As inscrições vão até 17 de setembro. O edital pode ser acessado aqui.

Podem se inscrever pessoas de qualquer área que tenham interesse em desenvolver pesquisas com abordagem interdisciplinar. Os aprovados receberão hospedagem e alimentação, além de passagens de ida e volta ao Rio de Janeiro.

“A formação é um espaço de exploração para quem quer construir repertório antes do doutorado. Como muitas questões da ecologia estão na interface entre disciplinas, a presença de pessoas vindas da matemática, da física, da computação, das ciências da terra e de outras áreas, dialogando com quem vem das ciências da vida, é o que oxigena o programa. Essa diversidade de formações é essencial para abordar perguntas complexas por novos ângulos”, afirma Camila Teicher, diretora da Formação em Ecologia Quantitativa.

Criada em 2021, a iniciativa é uma das apostas do Serrapilheira para capacitar pesquisadores em busca de respostas para desafios atuais da ecologia. Na primeira etapa, que vai de 3 de janeiro a 1º de março de 2027, os selecionados passam por um treinamento teórico intensivo (aulas e palestras). O foco é a formulação de perguntas científicas da ecologia contemporânea, com rigor teórico e metodológico, combinada à aplicação de ferramentas como estatística, modelagem matemática, sensoriamento remoto e machine learning. As atividades serão no IMPA Tech, na zona portuária do Rio de Janeiro. Ao final, o grupo também participa de uma “imersão científica” por duas semanas na Região Serrana do Rio de Janeiro, com seminários, workshops e sessões de mentoria com cientistas de diferentes países e referências na área.

 Após a fase intensiva de aulas, o programa traz a oportunidade de participar de um curso de campo em um bioma brasileiro, programado para julho de 2027. Nesta etapa, serão selecionados 16 estudantes, entre os participantes das edições de 2027, 2026 e 2025, para trabalhar em projetos em grupo que unam os conhecimentos aprendidos nas aulas ao trabalho de coleta de dados, observações e experimentos. Em 2026, a etapa de campo ocorreu no Cerrado, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Em edições anteriores, as atividades foram na Mata Atlântica e Amazônia. 

Os selecionados na segunda fase participam ainda de um evento preparatório para o curso de campo, nos moldes de um hackathon. Usando componentes eletrônicos, solda e impressora 3D, eles vão construir sensores e equipamentos que serão usados para coletar dados em campo.

Aluno da edição de 2026, Guilherme Couto, mestre em modelagem computacional pela Universidade Federal de Juiz de Fora, comenta que a Formação em Ecologia Quantitativa foi fundamental para conhecer as possibilidades de uma carreira interdisciplinar. “Eu não fazia muita ideia do quanto de aplicações possíveis de computação havia na ecologia”, diz o engenheiro computacional, que nunca havia trabalhado com ecologia antes de participar do programa. “Passei a ter clareza de que é possível, por exemplo, utilizar aprendizado de máquina para classificar tipos de vegetação, ou mesmo modelar a conectividade de ecossistemas usando teoria dos grafos para entender a dinâmica de animais. Aprendi muito de estatística com o pessoal da ecologia e utilizei isso na minha dissertação de mestrado.”

A 7ª edição do programa será coordenada, pela primeira vez, por um comitê de cientistas. O grupo é formado por Bianca Rius, ecóloga da Universidade de Toulose, na França, que investiga como as mudanças climáticas afetam o funcionamento de ecossistemas tropicais; Raul Costa-Pereira, pesquisador da Unicamp que combina abordagens empíricas, experimentais e de modelagem para entender processos ecológicos – de leões-marinhos no Atlântico a caracóis invasores e micro-organismos em metrópoles tropicais –, e Thiago Rangel, da Universidade Federal de Goiás, que faz pesquisas com uso de grandes escalas. 

Interessados em participar do programa devem ficar atentos a alguns requisitos. É desejável que o candidato tenha familiaridade com matemática básica, noções de cálculo e estatística, pois essas ferramentas serão utilizadas nas aulas. Também é importante ter tido contato prévio com alguma linguagem de programação, como R ou Python. Não é necessário comprovar proficiência em língua inglesa, mas os candidatos devem ser capazes de se comunicar no idioma em um contexto acadêmico, já que parte das atividades do curso será em inglês.

Para se inscrever, candidatos deverão preencher um formulário no portal do Serrapilheira no Fluxx (https://serrapilheira.fluxx.io), enviar documentos como histórico escolar e indicar contatos que possam fazer cartas de recomendação. Após análise, alguns candidatos serão chamados a entrevistas. A lista final dos selecionados será divulgada em dezembro.

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