CERN seleciona artistas do mundo todo para colaborar com pesquisadores

Exposição “O Universo de Partículas”, promovida pelo CERN em 2010. Atelier Brückner/ Creative Commons.

Clarice Cudischevitch

Ciência de ponta e arte se encontram em uma nova edição da residência cultural do CERN, complexo científico dedicado à pesquisa fundamental em Física, instalado na Suíça. Promovido por uma parceria entre a iniciativa Arts at CERN e a cidade de Barcelona, na Espanha, o programa Collide International seleciona artistas para trabalharem lado a lado com físicos de partículas, engenheiros e especialistas em tecnologia da informação em um ambiente científico dedicado à criatividade.

O programa é aberto a artistas de todas as nacionalidades e terá duração de três meses, sendo dois na sede do laboratório e um na Fábrica de Arte Fabra i Coats, em Barcelona. As inscrições vão até 17 de maio.

O candidato deve apresentar um projeto que promova a experimentação por meio da conexão entre arte e pesquisa fundamental, sugerindo novos métodos de colaboração entre artistas e cientistas. A proposta deve considerar uma fase de pesquisa no CERN e uma de desenvolvimento em Barcelona.

O Collide International convida a se inscreverem artistas que explorem o significado cultural da pesquisa fundamental e do conhecimento científico, questionando de forma inovadora e provocativa os modos tradicionais de colaboração entre arte e ciência. Também são bem-vindas abordagens da ciência por meio de perspectivas filosóficas, tecnológicas e sociológicas.

Fundado em 1954, o CERN é um dos maiores e mais respeitados centros de pesquisa do mundo, voltado ao estudo das bases constituintes da matéria – as partículas fundamentais – por meio de aceleradores e detectores de partículas. Localizado na fronteira franco-suíça, o laboratório é administrado em conjunto por 23 países europeus.

É lá que está instalado o LHC (Large Hadron Collider), o maior acelerador de partículas do mundo, uma espécie de arena de 27 quilômetros com uma supercondução magnética. Foi no LHC que se atestou, por exemplo, a existência do bóson de Higgs, em 2012. Considerada uma das maiores descobertas da Física, a chamada “partícula de Deus” ajuda a explicar o comportamento das partículas subatômicas e o funcionamento do Universo.