Como criar minimuseus?

Charles Philipp no workshop do MICRO                                                                                 Foto: Filipe Costa

Carla Russo

A cientista Amanda Schochet e o designer Charles Philipp sabem como colocar informações relevantes e atrativas num espaço pequeno. Os criadores do MICRO, minimuseus itinerários, abriram, na quinta-feira, o workshop para os participantes do Camp Serrapilheira explicando a motivação por trás do projeto: “Queremos incutir nas pessoas a curiosidade de um cientista”, conta Charles.

Levando ciência para espaços não tradicionais como hospitais, aeroportos, rodoviárias, eles sabem que tem pouco tempo para atrair a atenção do público. Por isso, cada item é pensado e discutido pela equipe. “As informações contidas em cada caixa têm que contar uma história. Porque se você está esperando o ônibus e ele chega pode não dar tempo de ver todos os lados do totem”, explica Amanda.

Moluscos ou alienígenas

O primeiro minimuseu feito pelo casal foi dedicado aos moluscos. A ideia era usar eles de personagens para falar de história natural de uma forma diferente. Quando começaram a pesquisa sobre os moluscos notaram que muitas vezes eles são comparados a alienígenas. “O cinema muitas vezes se inspira em polvos, lulas, caramujos para criar extraterrestres”, conta Charles. Com isso em mente, eles colocaram no Google: quais são as perguntas que os humanos gostariam de fazer para os alienígenas? O resultado da busca mostrou que as dúvidas sobre os seres de outros planetas também se aplicariam aos moluscos. Onde vivem? O que comem? Como se reproduzem? Partindo destas questões eles começaram a desenvolver o conteúdo de cada parte do minimuseu. Todo o processo levou um ano para terminar.

Para o workshop, dividido em dois dias, Amanda e Charles fizeram uma proposta simplificada do processo para os participantes desenvolverem minimuseus. Em grupos, eles discutiram possíveis temas para o projeto. E também responderam a um questionário formulado pelo MICRO para verificar a força do assunto. Este exercício é interessante para qualquer formato de divulgação. Pode ser um vídeo, um podcast, um blog ou um minimuseu, afirmou Charles. Os participantes se engajaram na atividade. “Várias ideias ótimas surgiram. Não vou contar para ninguém!”, brincou Hugo Fernandes Ferreira, diretor do Science Vlogs Brasil.

Amanda e Charles orientam os participantes do workshop                                                Foto: Filipe Costa

Abacate, cidades invisíveis e plantas carnívoras

Na sexta-feira, o workshop foi retomado com a fase de pitching, cada grupo teve dois minutos para defender seu tema. “Este momento é muito importante para quem está em busca de financiamento. É preciso treinar para conseguir explicar o essencial da proposta”, destaca Charles.

Depois das apresentações, Amanda e Charles e a equipe executiva do Instituto Serrapilheira escolheram três assuntos para os minimuseus: abacate, cidades invisíveis e plantas carnívoras. Cristina Caldas, diretora de Pesquisa Científica do Serrapilheira, acompanhou o exercício e ajudou na escolha dos temas. “Achei a atividade muito interessante. Algumas ideias apresentadas são bem inovadoras e outras mais tradicionais. E deu para perceber quais projetos estão mais estruturados”.

Os participantes foram divididos em três grupos para o ponto alto do workshop: montar um modelo de minimuseu. Eles desenvolveram o conteúdo, o design e a divisão de informações para cada lado do totem. Os resultados foram impressionantes.“Adorei o workshop. Gostei dessa forma de trabalhar o tema até chegar ao resultado final”, contou Vinicius Penteado, fundador do Science Vlogs Brasil.