Dança e ciência unidas no Camp

Divulgadores que apresentaram projetos no LAA do Museu do Amanhã, nesta sexta-feira (7)

Sergio Torres

Com dança no Laboratório de Atividades do Amanhã (LAA), terminou na manhã desta sexta-feira (7) parte das apresentações de divulgações científica selecionadas pelo Camp Serrapilheira, instalado desde terça-feira (4) no Museu do Amanhã, no Centro do Rio de Janeiro.

A dança vogue, popularizada pela cantora norte-americana Madonna no início dos anos 90 do século passado a partir do hit “Vogue”, fechou a apresentação da bióloga pernambucana Natália Oliveira, do Laboratório de Imunopatologia Keiko Asami (Lika), da Universidade Federal de Pernambuco (UFP).

Natália Oliveira comanda dança durante o Camp

Natália instigou a plateia a bailar e coreografou os improvisados dançarinos. Um dos temas que apresentou antes da dança foi o encontro da vogue com a ciência.

“Temos um workshop com três passos. O primeiro, a descrição da identidade do cientista. O segundo, o estudo dos movimentos corporais. O terceiro, a criação da dança interpretativa”, disse.

Rodar pelo Brasil em um carro para levar a ciência a feiras, exposições, museus, espaços culturais, congressos, escolas e até espaços públicos. Esta a proposta do divulgador científico Rodrigo Graminha, de São Paulo.

O projeto Geostok foi criado por Graminha no ano passado, em Ribeirão Preto (SP), com o objetivo de desenvolver, produzir e comercializar produtos didáticos lúdicos e educativos voltados à divulgação científica.

Desde a fundação, o Geostok já participou de 14 eventos, que atenderam a 6.500 pessoas. “Ensinar é igual a fazer. Aprender é igual a interagir. Minha proposta é levar a divulgação científica a locais não atendidos”, afirmou Graminha, que preparou kits, objetos e brinquedos com temáticas científicas, para venda e distribuição durante as atividades.

O emprego do jogo RPG na ciência foi o assunto da apresentação do biólogo e professor universitário Lucas Marques de Camargos, de São Paulo, idealizador do podcast “Dragões de Garagem”.

“O ‘Dragões’ não é só podcast, na verdade. Já virou site multimídia de divulgação científica, com historinhas, presença no youtube e o programa ‘Notícias de Garagem’. Quando penso em divulgação científica penso em comunicação. Comunicação pressupõe interlocução”, contou Camargos.

De acordo com o especialista, o Role-Playing Games, o popular jogo virtual RPG, pode trazer explicações de conteúdos de ciência e desenvolver competências nos jogadores. “No meu trabalho, junto dois hobbies: RPG e divulgação científica”.

Para João Cortese, bacharel em ciências moleculares, um dos valores do projeto “Estado das Artes Bits”, que desenvolve em blog, podcasts, é propiciar a formação de um acervo multidisciplinar sempre associada à cultura e à ciência.

“A inquietação filosófica é nosso diferencial melhor”, disse ele, que produz trabalhos relacionados à inteligência artificial.

A bióloga Sarah Azoubel Lima falou sobre o podcast “Oxigênio”, de divulgação científica. Ele termina agora uma especialização em jornalismo científico.

Sarah e duas colegas criaram o projeto “37 Graus”, com a proposta de “puxar a ciência para dentro da história.

“Estamos começando uma temporada agora em setembro, com cinco episódios, em variados estágios de produção. Ciência sempre começa em um lugar e acaba em outro. Ciência é, inerentemente, história”, sentenciou.

Fundadora no Canadá do Coletivo Squiggle, com dois estudantes brasileiros que, como ela, cursam doutorados em Montreal, Julia Salles discorreu em sua apresentação no Camp sobre o projeto “PICT.IO”, jogo colaborativo entre máquinas e seres humanos.

“Trabalhamos na interseção de arte e tecnologia. A ideia é fazer da ciência ferramenta para criar ação, levar nosso conhecimento para um público maior. O jogo dá uma visão da inteligência artificial no cotidiano, seus impactos legais, éticos e sociais. Uma das premissas do jogo é que máquinas e humanos colaborem, acabar com a ideia de dominação, de medo. Sair do ‘inteligência artificial versus inteligência humana’”, afirmou.

Professor da Universidade Federal de São Carlos (SP), o físico Adilson de Oliveira expôs à plateia como funciona o Laboratório Aberto de Interatividade (Labi) e detalhou seu envolvimento com a divulgação científica, iniciado ainda criança, quando criou um clube de astronomia.

O Labi surgiu em 2006 e se dedica à produção de vídeos, programas para rádio e internet, entrevistas e até a realização do concerto “Infinito em todas as direções”, em parceria com a Orquestra Experimental da Universidade de São Carlos.

“Eu me dedico à divulgação científica também como colunista das revistas ‘Galileu’ e ‘Ciência hoje”’, disse.