Em defesa da ciência

Nos últimos dias, as notícias têm se mostrado pouco otimistas para a ciência brasileira. Vemos com apreensão a possibilidade de inviabilização das bolsas financiadas pelo CNPq por conta do déficit orçamentário da agência. Os recursos públicos são a base do fomento à ciência – que deve ser vista como um investimento no progresso de qualquer país – e o CNPq é um representante fundamental desta base. Nesse sentido, relembro uma entrevista que concedi em maio à Folha de S. Paulo: ‘Verba pública é o coração do fomento à ciência’

O Serrapilheira é uma instituição nova, recém-inserida no ambiente científico brasileiro. Apoiamos projetos de pesquisa e de divulgação científica por acreditarmos na qualidade e no potencial da ciência do Brasil e porque queremos ajudar na construção de uma cultura de ciência no país. Estamos voltados, acima de tudo, para a promoção do conhecimento, um valor fundamental para qualquer sociedade. Portanto, lamentamos sempre quaisquer cortes orçamentários na educação e na ciência.

Ficamos muito contentes de poder contribuir, ainda que de forma modesta, com o desenvolvimento da ciência. Atualmente, temos uma rede de 95 jovens pesquisadores e 14 divulgadores que já foram contemplados com nosso grant de R$ 100 mil. Dos pesquisadores, 12 tiveram recentemente o apoio renovado e receberam R$ 1 milhão, cada um.

Reconhecemos, no entanto, nossas limitações e enfatizamos que o Serrapilheira é apenas um ator suplementar no ecossistema da pesquisa brasileira. Esperamos que a ciência se torne, o quanto antes, um sólido projeto de Estado para o Brasil e estamos à disposição para colaborar nesse processo.

Hugo Aguilaniu,
Diretor-presidente do Serrapilheira