Minimuseus de ciência mostram o poder de pequenas intervenções

Fundadores do MICRO fizeram palestra no Camp Serrapilheira

Amanda Schochet e Charles Philipp, do MICRO. Foto: Filipe Costa/ Agência Rastro

Lavinya Andrade

Quão pequeno pode ser um museu? Para os fundadores do MICRO, Amanda Schochet e Charles Philipp, um totem de menos de 2 metros de altura pode condensar muito conhecimento. Em palestra nesta terça-feira (4), no Auditório do Museu do Amanhã, a dupla apresentou o projeto, que cria minimuseus interativos itinerantes, aos participantes do Camp Serrapilheira.

Com o lema “pequenas coisas, grande diferença”, a missão do projeto é promover acesso igualitário a conhecimentos fundamentais. O número escasso de museus de ciência e a má distribuição geográfica são algumas das barreiras que os fundadores do MICRO pretendem derrubar.

“Em Nova York (EUA), museus de ciência são muito visitados, mas são raros. Além disso, não atingem toda a população porque são construídos nas partes mais ricas da cidade”, disse Schochet.

A chave é expor os minimuseus em lugares com grande circulação de pessoas, como shoppings, bibliotecas e hospitais. “Se as pessoas tiverem mais oportunidades de ter contato com a ciência, vão se interessar mais”, afirmou Philipp. “Pequenas intervenções repetidas várias vezes podem mudar hábitos”, acrescentou.

Atualmente, o MICRO conta com uma frota de minimuseus com o tema Smallest Mollusk Museum, que fala sobre lesmas, caramujos e outros moluscos. Para o primeiro semestre de 2019, é esperado o lançamento de museus portáteis sobre movimento perpétuo.

Como forma de estimular o interesse dos visitantes a adquirir um conhecimento mais profundo da exposição, o MICRO conta ainda com um “museum book” e um “museum audio guide”. A meta para os próximos cinco anos é fazer do MICRO o museu mais visitado do mundo.

A dupla recordou o incêndio que destruiu o Museu Nacional, no último domingo (4). “Não poderíamos iniciar nossa palestra sobre museus, ciência e comunicação sem lamentar o ocorrido. É uma perda para o Brasil, é uma perda para a ciência. Por isso, é importante o engajamento da população”, disse Philipp.