Projeto de alfabetização científica em Recife explora a representatividade

Foto: divulgação/ Giovannia Pereira

Clarice Cudischevitch

Um projeto de alfabetização científica com 21 crianças da rede pública de Recife (PE) abordou a representatividade ao trabalhar experimentos a partir da pesquisa de cientistas mulheres. A iniciativa recebeu apoio do Serrapilheira e foi liderada pela química e grantee do instituto Giovannia Pereira.

“A ideia surgiu a partir do desafio colocado pelo Serrapilheira de pensarmos quais seriam os grupos subrepresentados em nossas áreas de pesquisa”, conta Pereira, professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). “Sabemos que há uma subrepresentação das mulheres na ciência, em especial nas ciências duras, e escolhemos abordar esse tema com crianças entre 5 e 6 anos da rede pública de ensino.”

O trabalho foi desenvolvido ao longo de quatro aulas. Cada uma delas abordava a pesquisa de uma cientista diferente, como a química Beate Santos e a astrofísica Beatriz Barbuy, para desenvolver experimentos. Os assuntos eram abrangentes: abordavam proteínas, fluorescência de materiais, nanocristais e estrelas, utilizando recursos como ovo, gelatina e pulseiras neon de festa.

A experiência foi realizada com alunos do primeiro ano do ensino fundamental da Escola Municipal Pe. José Mathias Delgado, que se mostraram bastante receptivos. “Nosso intuito foi o de plantar a sementinha da curiosidade nas crianças nessa idade tão fácil de absorção do conhecimento para que talvez, a partir daí, pensem na carreira científica como sendo factível”, diz Pereira.

Para Raineide Siqueira, coordenadora pedagógica da escola, a aplicabilidade das experiências foi facilitada por conta da linguagem simples. “As crianças nessa idade têm muita curiosidade com tudo que as cerca. Nessa experiência, elas puderam ver que ciência pode ser feita por homem, mulher, qualquer pessoa, e isso é representatividade.”

Agora, o grupo de Giovannia Pereira está compilando o trabalho, metodologia e resultados obtidos em um DVD. O objetivo é disponibilizar o material audiovisual nas escolas públicas, para que possa servir como um guia para futuros trabalhos de alfabetização científica.

“Queremos expandir o projeto e fazer uma série de experimentos para distribuir na rede municipal de ensino, fazendo essa abordagem interior afora”, ressalta a química.

Saiba mais sobre o projeto assistindo ao vídeo institucional.