23/09/2020 10:12

Sete dicas do 37 Graus para podcasts com um pé na ciência

  • Camp Serrapilheira

No treinamento para podcasts do Camp Serrapilheira 2020, Bia Guimarães e Sarah Azoubel falaram sobre técnicas que utilizam na produção do 37 Graus

Pedro Lira

As produtoras do podcast 37 Graus Bia Guimarães e Sarah Azoubel foram as primeiras convidadas para conversar sobre o universo dos podcasts com os selecionados do Camp Serrapilheira 2020. Os representantes dos oito projetos estão passando por um treinamento para podcasts da PRX, empresa dos EUA especializada em narrativas por áudio.

Na conversa, a jornalista e a bióloga contaram sua trajetórias e compartilharam com os grantees de divulgação científica algumas técnicas que usam em seu programa para a construção de um bom podcast narrativo. “O processo de descoberta pode ser mais interessante do que o resultado em si. Levar o ouvinte na trajetória da investigação o transporta para uma experiência que ele nunca viveu”, comentaram.

Entre dicas e histórias dos três anos de 37 Graus, Bia Guimarães e Sarah Azoubel compartilharam seu processo de produção e investigação científica em áudio. Confira:  

Faça um piloto 

Antes da criação do 37 Graus, pegamos várias referências que gostávamos para experimentar estilos e ver como seria o nosso podcast. Sempre defendemos a produção de um protótipo para mostrar como será essa produção para o seu programa. Essa é uma dica defendida também no treinamento da PRX.  

Antes de qualquer coisa, pense no papel da ciência no podcast 

Sempre buscamos história com um pé na ciência! Quando decidimos a pauta sempre pensamos em como linkar o assunto com a ciência. No episódio-bônus que lançamos recentemente sobre o mercado erótico evangélico, por exemplo, trouxemos uma antropóloga como fonte, mesmo o episódio não sendo centrado na pesquisa dela. 

A ideia é investigar perguntas em que precisamos da ajuda de cientistas para serem respondidas. No 37 Graus é o arco narrativo que nos leva até a investigação científica.

Não fale do problema no abstrato

No jornalismo a estrutura tende a ser um personagem e o cientista como fonte. No nosso programa buscamos colocar o cientista como personagem. Quem são, informações pessoais, o que pesquisam. Um exemplo é o Maré baixa, em que os biólogos Guilherme Longo e Edson vieira são fontes e personagens. A rotina deles de investigar o branqueamento dos corais é parte da narrativa. 

Não subestime seu ouvinte

Obviamente é preciso simplificar assuntos científicos, mas não suponha que seu ouvinte não irá entender temas complexos. As implicações da histórias, problemas do campo e a complexidade da investigação é o que dão a graça à história. Essa construção ajuda o ouvinte a se sentir parte da história. Tirar a complexidade para ficar fácil de entender torna a narrativa chata. 

Tempo para processar

O podcast é uma mídia corrida. Ninguém quer voltar alguns minutos do áudio porque não entendeu direito. É preciso garantir que o ouvinte não perca o fio da meada. Uma técnica que usamos é colocar momentos de leveza com conversas espontâneas, música ou brincadeiras para dar um espaço de processamento para o ouvinte assimilar as informações. Torna o episódio mais leve. 

Imagine o episódio antes de começar a produção

É muito importante, a partir da pré-produção, imaginar uma estrutura central para guiar o episódio. No Rastros na Floresta, por exemplo, depois de conhecer o trabalho dos geólogos entrevistados, antes de irmos a campo já imaginamos construir a narrativa em cima das cenas na floresta. Usar o passeio na floresta para contar a história. 

Imagine, mesmo sem saber se será possível fazer dessa forma. Se você não consegue nem visualizar como será o episódio, volte para a etapa anterior de produção. É um erro chegar ao final do processo com vários arquivos de áudio sem saber o que fazer com o conteúdo.  

O roteiro sai dos áudios 

Na etapa de escrever o roteiro, se baseie nos melhores cortes de áudio e não na transcrição das entrevistas. Em texto pode estar ótimo, mas aquele corte específico pode não estar bom, um barulho na entrevista, uma parte que a gravação não ficou boa e por aí vai. Quando você baseia seu roteiro nos melhores momentos, até a edição fica mais fácil. Te dá mais liberdade para brincar com os áudios e encaixá-los em diferentes momentos do episódio. 

Essa foi uma técnica que passamos a usar a partir da série Epidemia e é perceptível como nossa edição melhorou depois disso. 

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