Camp Serrapilheira quer fortalecer rede de divulgadores de ciência

Encontro do Camp Serrapilheira na Casa do Povo, em São Paulo. Foto: Leo Eloy/ Estúdio Garagem

Clarice Cudischevitch

O Camp Serrapilheira vai apoiar até 14 projetos de divulgação científica com R$ 100 mil, cada, mas o programa, que está com inscrições abertas até 7 de junho, vai além do financiamento. A ideia é formar uma rede engajada em produzir formas criativas de comunicar a ciência, e o Serrapilheira participa ativamente desse processo. Ao longo do período do grant, são realizados encontros e facilitações para que os divulgadores trabalhem em conjunto.

O primeiro encontro dos 14 grantees do Camp Serrapilheira 2018 aconteceu em abril. Durante dois dias, os divulgadores se reuniram na Casa do Povo, em São Paulo, em uma mentoria conduzida pelas facilitadoras Carol Misorelli, Georgia Nicolau e Juliana Fava. Eles compartilharam seus projetos, refletiram coletivamente sobre os desafios comuns e identificaram formas de colaborar ao longo do ano.

“No encontro, avaliamos as expectativas de impacto e alcance e pensamos as trocas como um grupo”, afirma a diretora de Divulgação Científica do Serrapilheira, Natasha Felizi. Ela ressalta que o instituto espera dos projetos de divulgação científica o mesmo grau de excelência pressuposto para os de pesquisa, tanto no conteúdo quanto na forma, e que o desenvolvimento das propostas a partir do grant vai orientar o próprio instituto. “Ao participarem dessas atividades, os divulgadores colaboram para que a gente também construa nossos objetivos e paute nossas ações no futuro.”

Nas discussões, um dos principais desafios identificados pelos divulgadores é o de como medir o impacto de seus projetos. A dificuldade de atuar fora de seus expertises também foi um ponto levantado – por exemplo, a falta de conhecimento técnico para produzir um podcast ou um canal de Youtube. Outra indagação dos participantes foi em relação a “furar a bolha” para ampliar as audiências para além de um público que já gosta de ciência.

Divulgadores participam de atividades em conjunto no encontro na Casa do Povo. Foto: Leo Eloy/ Estúdio Garagem

O Cientista Beta, por exemplo, que promove iniciação científica no Ensino Médio, já passou da etapa de ter como público-alvo os estudantes. “Agora identificamos os alunos como parte do processo e queremos atingir os professores”, comenta a representante do projeto, Barbara Zolet, lembrando que eles lançaram recentemente o Decola Beta para Professores, voltado para capacitar esses formadores para a aprendizagem baseada na pesquisa. Saiba mais sobre o Cientista Beta.

Para Bruno Garibaldi, do Sonora, o desafio é o de como criar empatia com a ciência por meio de saberes populares. A iniciativa promove imersões sonoras sobre temas como mobilidade urbana, sustentabilidade e desigualdade social e, com o apoio do Camp, está produzindo uma experiência sonora sobre a Amazônia. “Tendo em vista o rigor cientifico, temos que pensar, também, em como traduzir esse conteúdo em outras linguagens sem perder a informação.”

Luisa Putterman e Bruno Garibaldi, do Projeto Sonora. Foto: Leo Eloy/ Estúdio Garagem

A facilitadora Carol Misorelli explica que os dois dias de atividades são bastante voltados para identificar as formas de fortalecer a rede e aprimorar os projetos, mas os objetivos são mais amplos: “Buscamos qualificar esses resultados para entender o impacto que essas iniciativas causam no campo da divulgação científica brasileira.”

Tem um projeto criativo de divulgação científica? Inscreva-se no Camp Serrapilheira 2019: https://serrapilheira.org/chamada-publica-camp-2019