Cientistas brasileiros trabalharão em conjunto com Instituto Weizmann, de Israel

O arqueólogo André Menezes Strauss, do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, que é um dos contemplados pelo programa de cooperação internacional

Clarice Cudischevitch

Pesquisadores do Brasil e de Israel trabalharão juntos em um programa de cooperação científica promovido pelo Instituto Weizmann de Ciências (WIS) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). A iniciativa, que recebeu um financiamento de US$ 140 mil do Serrapilheira, selecionou três grupos brasileiros para colaborar com cientistas do prestigiado centro de pesquisas israelense.

As colaborações bilaterais são diversas: Leandro Pereira de Moura (Faculdade de Ciências Aplicadas/ Unicamp) e Atan Gross estudam doença hepática e exercício físico; Sergio Schenkman (Escola Paulista de Medicina/ Unifesp) e Neta Regev Rudzki pesquisarão os parasitas causadores da Doença de Chagas e leishmanioses; e André Menezes Strauss (Museu de Arqueologia e Etnologia/ USP) e Elisabetta Boaretto têm como tema dois eventos marcantes na história antiga da América: a extinção da megafauna e a explosão da arte rupestre no Brasil Central.

O programa permitirá que os cientistas brasileiros tenham acesso a metodologias de ponta pouco disponíveis ou sequer existentes no Brasil. Os participantes poderão, ainda, enviar estudantes e pesquisadores para treinamento no Weizmann e trazer pessoas de lá para conhecer as instituições brasileiras.

“Nós, arqueólogos, não temos ideia da antiguidade das famosas pinturas rupestres do Brasil”, comentou Strauss em entrevista ao Amigos do Weizmann, associação que apoia o instituto no Brasil. O Centro Kimmel para Arqueologia do Instituto Weizmann e Elisabetta Boaretto, com quem o brasileiro irá trabalhar, são referência mundial em datação de material arqueológico.

Este, aliás, é o segundo apoio concedido pelo Serrapilheira ao Museu de Arqueologia e Etnologia/ USP. O Laboratório de Arqueologia e Antropologia Ambiental e Evolutiva, que faz parte da instituição, foi contemplado no segundo edital de divulgação científica do Camp Serrapilheira. O LAAAE é um dos poucos laboratórios no Brasil que trabalham com a evolução humana sob uma perspectiva multidisciplinar, estudando desde sítios arqueológicos a comunidades tradicionais viventes em biomas brasileiros ameaçados, como a Amazônia. Seu projeto prevê a inclusão de pessoas negras em etapas da pesquisa e da divulgação científica dentro desta temática.