Conferência no Paraná discutirá a origem dos raios cósmicos

Evento internacional organizado por pesquisadora do Serrapilheira reunirá cientistas da astrofísica e da cosmologia; Instituto levará ao evento pós-graduandos do Norte e Nordeste

Clarice Cudischevitch

A origem dos raios cósmicos que chegam à Terra ainda não é bem conhecida, mas estudiosos apontam os buracos negros como a fonte provável. Para debater o tema, a cientista Rita de Cássia dos Anjos, do Instituto Serrapilheira, reunirá pesquisadores da astrofísica e da cosmologia na conferência “Buracos Negros como Baterias Cósmicas”, de 12 a 15 de setembro, em Foz do Iguaçu (PR).

A conferência contará com a participação de pesquisadores de instituições de renome internacional, como a Universidade Stanford (EUA) e a Universidade Oxford (Reino Unido). O Serrapilheira custeará a participação de estudantes de mestrado e doutorado das regiões Norte e Nordeste que tenham inscrito trabalhos para apresentação no evento.

Os raios cósmicos são partículas subatômicas que se originam no espaço e atingem a Terra. Ao colidir com a atmosfera, geram o que é conhecido como “chuveiro de partículas”. As partículas podem perder muita energia no trajeto, ao interagir com radiações cósmicas no Universo e em desvios causados por campos magnéticos. Mas algumas chegam ao planeta altamente energéticas e pesadas, com composição semelhante à do ferro.

As partículas cheias de energia são o objeto de estudo da física Rita de Cássia, pesquisadora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), do Observatório de Raios Cósmicos Pierre Auger, na Argentina, e do Observatório de Raios Gama Cherenkov Telescope Array, no Chile.

A física Rita de Cássia dos Anjos, organizadora da conferência internacional “Buracos Negros como Baterias Cósmicas”

“Se pegássemos a energia de um raio cósmico altamente energético e a colocássemos em uma bola de tênis, ela poderia adquirir uma velocidade de aproximadamente 90 km/h. É muita energia para uma partícula subatômica”, explica a cientista.

Raros, os raios cósmicos altamente energéticos atingem a Terra cerca de uma vez a cada século por km², conforme estatísticas dos observatórios. No Pierre Auger, Rita de Cássia pesquisa como as partículas se propagam no Universo e quais seriam suas possíveis fontes. Já os cosmólogos estudam processos de emissão de energia nos buracos negros e suas radiações.

Na conferência, as duas áreas se encontrarão para tentar responder à pergunta que remete ao início: de onde vêm essas partículas?

A organizadora tem um palpite: se as partículas chegam com uma composição química pesada e com uma energia tão alta, é porque, possivelmente, vêm de perto. É o que mostram resultados recentes do Observatório Pierre Auger.
“Há fontes de raios cósmicos próximas à nossa galáxia, e podem ser buracos negros”, afirma a especialista.

Para conhecer os palestrantes e fazer a inscrição, confira o site do evento: http://bhcb2018.com.br/.

O Serrapilheira é a primeira instituição privada de apoio à ciência do Brasil. Foi criada em 2017. Em sua primeira Chamada Pública, selecionou 65 projetos de jovens cientistas brasileiros nas áreas de ciência da computação, ciências da terra, ciências da vida, engenharias, física, matemática e química. Cada pesquisador foi contemplado com uma bolsa de R$ 100 mil.

Clarice Cudischevitch