Cooperação entre pesquisadores de diversas áreas permite novas descobertas

Displays que emitem luz verde ou vermelha dependendo do material emissor, desenvolvidos pela equipe de Andreia Macedo a partir de perovskitas. Divulgação/ Andreia Macedo

Clarice Cudischevitch

Para encontrar soluções que vão desde a geração de energia solar mais barata até janelas que mudam de cor, a física Andreia Macedo pesquisa em conjunto com químicos e engenheiros. Este trabalho cooperativo e multidisciplinar levou à produção de dispositivos inovadores, que já renderam uma patente depositada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e publicações em revistas internacionais.

Pesquisadora da Universidade Federal Tecnológica do Paraná (UFTPR) e grantee do Serrapilheira, a pesquisa de Andreia envolve um campo chamado Eletrônica Orgânica, que fica na fronteira de diversas disciplinas da ciência e tem resultado em mudanças no processo de produção de dispositivos convencionais.

Andreia Macedo explica que, por trás da aplicabilidade tecnológica do trabalho, há uma forte pesquisa fundamental. “Temos um produto final, mas durante a síntese e o processamento dos materiais, bem como na otimização dos dispositivos, fazemos muita ciência de base”, destaca a física.

“Procuramos produzir dispositivos optoeletrônicos flexíveis que podem absorver ou emitir luz” acrescenta a cientista. Algumas das vantagens, são a possibilidade de aplicá-los em superfícies não planas, o fato de serem mais leves e de terem menor custo de produção.

Para desenvolver os dispositivos, Andreia Macedo trabalha com novos materiais como polímeros, nanopartículas e perovskita. “Perovskita é um material que, apesar de não ser propriamente novo, tem propriedades interessantes que têm sido estudadas e melhoradas. Ele vem sendo aplicado para geração de energia solar, o que é bastante recente e promissor.”

Um exemplo de dispositivo desenvolvido pela pesquisadora são as células solares orgânicas ou híbridas orgânico-inorgânico, utilizadas para geração de energia a partir da captação da luz do sol e conversão em energia elétrica.

A pesquisadora também desenvolveu uma janela eletrocrômica (conhecida como smart windows), que pode ficar transparente ou escura conforme a aplicação da tensão. Esta tecnologia pode ser usada em janelas de casas ou automóveis, para controlar a entrada de luz no ambiente. “Alguns carros já têm essa inteligência, mas ainda é bem cara.” A patente já foi depositada no INPI.

Em outro trabalho, dispositivos emissores de luz verde ou vermelha, que podem ser usados em sinalização, apresentação de imagens ou vídeos, entre outras funções, foram desenvolvidos por Andreia em parceria com pesquisadores da Yonsei University (Coreia do Sul) e National University of Malaysia (Malásia). A tecnologia foi tema de artigo publicado na revista Materials Today Chemistry.

O vídeo abaixo apresenta o display emissor de luz vermelha feito com perovskita:

 

“Meu grupo de pesquisa e a rede de colaboradores cresceram no último ano por causa do apoio do Serrapilheira”, conta a física. “Trabalhamos com cientistas não apenas da Coreia, mas da Malásia, Portugal, Inglaterra e África do Sul. Meu laboratório não era muito equipado até pouco tempo, então dependemos de colaborações externas para o andamento dos projetos de pesquisa.”