Curiosity Machine atrai famílias para a ciência pela inteligência artificial

Criadora da plataforma falou sobre o uso de machine learning para engajar pais e filhos no conhecimento científico

Tara Chklovski, da Curiosity Machine/ Iridescent. Foto: Filipe Costa/ Agência Rastro

Clarice Cudischevitch

A engenheira aeroespacial Tara Chklovski vê na inteligência artificial uma poderosa ferramenta para atrair famílias para o conhecimento científico. Pensando nisso, criou a plataforma Curiosity Machine, voltada para crianças, adolescentes e seus pais resolverem desafios nas áreas STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática). Ela foi uma das estrelas do Camp Serrapilheira, que acontece nesta terça-feira, 4, no Museu do Amanhã, Rio de Janeiro.

A plataforma, lançada em 2011, é online e gratuita. Faz parte de um projeto mais amplo – a Iridescent, organização sem fins lucrativos criada por Tara em 2006. Tem o objetivo de capacitar crianças, principalmente meninas, e suas famílias a se tornarem inovadoras e líderes por meio de programas de tecnologia, ciência e engenharia.

Tara quer estimular o aprendizado do método cientifico para levar os jovens a uma formação em inovação. “Eu nasci na Índia e não tinha muito dinheiro, mas minha família instigou em mim a curiosidade, e vi que ela pode ser aprendida”, contou. “Meu pai me envergonhava porque sempre fazia muitas perguntas às pessoas, mas vi que é pela curiosidade que começamos a entender como o mundo funciona e nos sentimos mais confiantes.”

Tara considera que a inteligência artificial, assim como a eletricidade nos séculos 19 e 20, transformará a sociedade de múltiplas formas. Por isso, considera-a uma ferramenta poderosa. “Em uma pesquisa que fizemos, vimos que 57% das pessoas têm medo da inteligência artificial. Mas no medo, sempre há também curiosidade.” Ela acredita ser papel dos divulgadores de ciência a superação dessa resistência inicial.

A engenheira deu um exemplo da importância dessa área ao falar sobre machine learning, subcampo da ciência da computação que abrange métodos de análise de dados e reconhecimento de padrões. Tara mostrou, com bom humor, o nível de complexidade que a machine learning envolve ao exibir uma montagem com fotos de cachorros, cookies e muffins que eram muito semelhantes entre si, explicando que não é fácil para um computador reconhecer a diferença de padrões.

Cachorro, cookie ou muffin? Foto: Mariana Fioravanti/ Twitter

Utilizar ciência e tecnologia como uma maneira de fortalecer a ligação entre pais e filhos é, para a palestrante, uma forma de empoderamento. “A organização se chama Iridescent porque, quando aprendemos conceitos de ciência, vemos o mundo com multicores, como um pássaro; ele se torna iridescente.”

Camp Serrapilheira

Lançado em abril, o programa incluiu edital para selecionar iniciativas brasileiras de divulgação científica a serem potencialmente patrocinadas pelo Instituto em 2019. Na primeira fase do Camp, 50 candidatos escolhidos apresentarão seus projetos e participarão de workshops com os representantes da Curiosity Machine, do Perimeter Institute, do Micro e Science Vs, de 5 a 7 de setembro, em evento fechado no Museu do Amanhã. Em seguida, até 20 dos candidatos serão selecionados para receber até R$ 100 mil de financiamento.