03/07/2020 05:09

Documentário propõe diálogo entre cientistas e povos tradicionais da Amazônia

  • Divulgação científica

Instalação de vídeo de Bárbara Marcel teve apoio do Serrapilheira e estreou na ZKM – Centro de Arte e Mídia de Karlsruhe, na Alemanha

Crédito: Barbara Marcel

Pedro Lira

A cineasta Barbara Marcel estreia nesta quinta-feira, 2, a obra Cine-Cipó, no Na ZKM – Centro de Arte e Mídia de Karlsruhe, na Alemanha. A instalação de vídeo, que teve apoio do Serrapilheira e conta com seis curta-metragens, observa o cotidiano de cientistas do Observatório ATTO, na Amazônia, e de duas ativistas locais, que trabalham juntos para produzir uma peça de rádio. O objetivo foi utilizar uma das maiores estruturas científicas do território para comunicar diferentes formas de conhecimento, além das ameaças relativas à Amazônia.

A instalação está em cartaz na mostra Critical Zones, que mescla arte, política e ciência ao abordar as chamadas zonas críticas da Terra – espaços em que todas as formas de vida, inclusive humana, precisam coabitar. A curadoria é de Bruno Latour, antropólogo e filósofo da ciência; Peter Weibel, curador artístico de novas mídias; e Bettina Korintenberg, que estuda as relações entre arte e arquitetura.

O trabalho de Marcel acompanha o percurso de Natalina e Raquel Tupi, duas líderes comunitárias da Resex Tapajós-Arapiuns até o Observatório da Torre Alta da Amazônia. O centro de pesquisa é um projeto científico internacional que estuda as interações entre a floresta, os solos e a atmosfera com o objetivo de compreender o papel da bacia amazônica dentro do sistema da Terra. O questionamento da cineasta foi como esse ambiente científico podia afetar diretamente populações quilombolas, indígenas e ribeirinhas.

“Desde o início me soou muito forte o fato da torre no meio da Amazônia parecer mais acessível a mim, uma carioca vivendo na Alemanha, do que provavelmente a muitas pessoas morando nas comunidades vizinhas”, conta. A partir dessa reflexão, Marcel decidiu que o filme não poderia ser apenas uma observação individual sobre o trabalho de cientistas na torre. “Comecei a pensar na transformação temporária da torre de coleta de dados atmosféricos em uma torre de transmissão radiofônica.”

Um dos maiores desafios foi escalar a estrutura, a maior torre da América Latina. “A subida começou bem cedo e levou quatro horas para atingir os 325 metros de altura. Chegando no topo, não havia muito tempo de ensaio porque estavam todos cansados e uma tempestade se aproximava”, relembra. A peça radiofônica, produto central do projeto, foi gravada em apenas dois takes. “Natalina e Raquel Tupi, com ajuda das entrevistas dadas pelos cientistas nos dias anteriores no Bosque da Ciência do INPA e na própria estação científica do Uatumã, que abriga a torre ATTO, fizeram um programa de rádio bem forte e emocionante no final.”

A obra pode ser assistida na versão online da exposição Critical Zones, mas também está disponível para visita física com a reabertura do ZKM Museum na tarde desta quinta-feira, 2. O Cine-Cipó conta com apoio do Serrapilheira e do Goethe-Institut.

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