Em workshop, divulgadores discutem meios de aumentar alcance de projetos

Representantes do Perimeter Institute conduziram treinamento com participantes do Camp

Dave Fish, mostrando experimento sobre movimento circular uniforme adaptado. Foto: Filipe Costa/ Agência Rastro

Clarice Cudischevitch

Em um encontro animado no fim da tarde desta quinta-feira (6), os divulgadores de ciência do Camp Serrapilheira debateram formas de aumentar o impacto de seus projetos, em um workshop com os representantes do Perimeter. O instituto canadense é uma referência tanto na pesquisa em física teórica quanto nas formas de divulgar esta disciplina para diferentes públicos.

Dave Fish, da área de divulgação científica do Perimeter, elogiou a empolgação do grupo. “Há 20 anos, nós estivemos onde vocês estão agora.” Ele explicou as frentes de atuação do instituto, que mira tanto na pesquisa de excelência quanto na promoção da diversidade, por meio de programas como o Inspiring Future Women in Science e o Museum in a Truck, que leva museus de ciência itinerantes a escolas em comunidades locais.

“Queremos inspirar estudantes, incluindo as crianças menores”, comentou Fish, reconhecendo que não é fácil despertar o interesse dos jovens pela física pelos métodos tradicionais. Ele deu o exemplo de um experimento amplamente usado para explicar o movimento circular uniforme, em que um objeto amarrado na ponta de um barbante é girado. “É terrível porque não esclarece ao aluno o que acontece se mudar o movimento, aumentar a velocidade etc.”

No Perimeter, eles adaptaram o experimento por meio de uma “gambiarra”. O objeto que é girado passou a ser luminoso, como uma estrela. Um clipe acoplado ao barbante faz a função de uma massa que, dependendo da velocidade com que o objeto é girado, pode subir ou descer. Quanto mais rapidamente o objeto é girado, mais aquela massa se move para cima. “A partir daí, introduzimos o mais impressionante conceito da física moderna: a matéria escura.”

Segundo estudos mais recentes, a matéria escura corresponderia a 85% de toda a matéria do Universo, e recebe esse nome por ser indetectável, invisível. Sabe-se que ela está lá por causa da gravidade. Nas galáxias, as estrelas se movem muito rapidamente, mas não saem de suas rotas porque há uma porção consideravelmente maior do que elas, mas invisível, que funciona como uma cola gravitacional. É a matéria escura. No experimento, se o clipe não se move, é porque todas as forças estão equilibradas.

Esse é um dos muitos recursos para serem utilizados em novas abordagens nas salas de aula e disponibilizados gratuitamente pelo Perimeter. Podem ser baixados online. No workshop para os participantes do Camp, Dave Fish enfatizou a importância da coleta de informação para desenvolver esses recursos.

“Quem quer fazer divulgação tem que fazer alguma pesquisa antes”, destacou. “Questione quem mais está fazendo aquilo; se você está inventando algo novo ou não.” Ele também apontou que é essencial definir quais são as necessidades e os recursos disponíveis para lidar com elas.

“No nosso caso, por exemplo, a necessidade é que os estudantes não estavam interessadas em física e os recursos que tínhamos era dinheiro, pesquisadores e professores”, comentou Fish. “Isso demandou colaboração, inclusive com pessoas artísticas, criativas, com as quais eu tive que aprender a trabalhar. O mais importante é compartilhar e treinar pessoas para ajudar você.”

Outro fator importante a ser considerado, de acordo com Fish, é a escala. “Vocês vivem em um país grande com muita gente. Como vão amplificar o que estão fazendo, distribuir seu recurso, qual é seu canal?” Durante o workshop, os participantes puderam discutir meios para fazer isso e trocar experiências.