Estudo mostra que mergulhadores recreativos são capazes de coletar dados científicos 

Pedro Lira

Divulgação/De Olhos Nos Corais

Os recifes de corais estão em risco. Ameaças como o aquecimento dos oceanos, poluição e sobrepesca levam os cientistas a monitorar esses organismos para  desenvolver estratégias de conservação. O problema é que a demanda de mergulhos para coleta de dados é alta demais para os pesquisadores que atuam na área. Por isso, o grantee Guilherme Longo e os pós-docs Edson Vieira e Leonardo Souza, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, estudaram como não cientistas podem contribuir para a coleta de dados científicos. O resultado mostra que mergulhadores recreativos podem ser grandes parceiros dos pesquisadores no monitoramento recifal.

“O estudo avalia uma temática fundamental e atual na ciência que é o envolvimento da comunidade não acadêmica em atividades científicas”, comenta Edson Vieira, primeiro autor do paper. “O monitoramento cidadão é uma excelente forma de aproximar a comunidade não acadêmica ao processo científico, bem como ao meio ambiente em que vivem, contribuindo para a valorização da ciência e para a geração de responsabilidade ambiental.”

Para chegar ao resultado, os pesquisadores selecionaram espécies que são importantes ecológica e economicamente, e que também são atrativas e de fácil identificação para empolgar o voluntário a realizar a coleta dos dados. Nas pranchetas de monitoramento com as fotos das espécies, os mergulhadores podiam registrar o número de indivíduos de cada espécie em diferentes classes de tamanho e no final avaliavam a satisfação em realizar a experiência científica. Os diferentes níveis de experiência que o mergulhador recreativo tem com atividades de mergulho e a falta de conhecimento científico prévio não influenciaram os dados coletados.

“Estes fatos, juntamente com a avaliação positiva dos voluntários em desempenhar a atividade científica, mostram que o protocolo para monitoramento cidadão de ambientes recifais tem grandes chances de sucesso”, comenta Guilherme Longo. A proposta é que a prática seja aplicada em diferentes locais e com outros tipos de organismos, aumentando assim a escala da coleta de dados nos ambientes recifais ao longo da costa brasileira.

O artigo original, que contou com apoio do Serrapilheira, pode ser lido neste link.