Falta de fósforo no solo afeta resposta da floresta Amazônica às mudanças climáticas

Foto: AmazonFACE

Clarice Cudischevitch

Um estudo publicado na Nature Geoscience identificou a influência do fósforo na resposta da floresta Amazônica ao aumento de gás carbônico na atmosfera. O ecólogo David Lapola, que foi apoiado pela primeira Chamada Pública de Pesquisa do Serrapilheira, observou que a falta desse elemento no solo diminui em média 50% a resposta da floresta ao CO2.

Para se chegar a essas observações, o grupo de David Lapola buscou reproduzir o experimento AmazonFACE por meio de modelagem. No estudo, foram analisados 14 modelos de ecossistemas terrestres, com diferentes vegetações e considerando diversos fatores, como ciclagem de carbono, nitrogênio e fósforo.

O projeto AmazonFACE consiste em fazer experimentos de fertilização por gás carbônico na floresta Amazônica. O objetivo é investigar como o aumento atmosférico de CO2 afeta a resiliência da floresta Amazônica, a biodiversidade que ela abriga e os serviços ambientais que provê.

Lapola explica que, há mais de 20 anos, cientistas debatem se o aumento da concentração atmosférica de CO2 poderia, na verdade, proteger a floresta Amazônica contra os efeitos das mudanças climáticas ao estimular a produtividade florestal e a resiliência à seca. “Ainda não concluímos se temperaturas mais altas e condições de seca poderiam causar uma perda catastrófica da maior floresta tropical do mundo”, diz o cientista.

David Lapola durante o 2º Encontros Serrapilheira. Foto: Diego Padilha

No caso do estudo recém-publicado, a limitação da resposta da floresta Amazônica ao CO2 relacionada ao fósforo sugere que a falta desse nutriente no solo em grande parte desse bioma pode diminuir a resiliência da floresta. “Nossos resultados mostram que a resistência da região às mudanças climáticas pode ser muito menor do que se supunha anteriormente”, aponta Lapola. Tais análises, acrescenta o pesquisador, indicam a importância de se seguir com o experimento em campo.

Em outro estudo recente, Lapola observou que um possível processo de savanização da Amazônia por conta das mudanças climáticas pode levar a danos socioeconômicos com custos estimados entre 957 bilhões a 3,6 trilhões de dólares. Saiba mais na matéria.