Minidocumentário expõe realidade de 20 matemáticas negras do Brasil

Manuela Souza, uma das matemáticas retratadas no Potência N

Clarice Cudischevitch

Apenas 3% do total dos docentes no Brasil correspondem a mulheres negras, situação ainda mais expressiva na Matemática, um campo historicamente dominado por homens. Com apoio do Instituto Serrapilheira, a revista Gênero e Número acompanhou 20 matemáticas negras brasileiras e agora expõe essa realidade no minidocumentário Potência N, lançado na quarta-feira (9).

O grupo foi acompanhado durante o Congresso Internacional de Matemáticos (ICM), o maior evento da área no mundo, que, em 2018, aconteceu em agosto, no Rio de Janeiro. A participação no ICM das matemáticas negras, de todo o Brasil, foi custeada pelo Serrapilheira. O instituto também deu apoio a um ciclo de palestras públicas sobre divulgação da matemática durante o Congresso.

Um dia antes do ICM, elas se reuniram com outras pesquisadoras do mundo inteiro no Encontro Mundial para Mulheres em Matemática, o (WM)2. O objetivo do evento satélite foi criar um espaço para que mulheres matemáticas pudessem compartilhar os trabalhos e, ao mesmo tempo, discutir os problemas relacionados a gênero.

Além de acompanhar as 20 pesquisadoras brasileiras, o Potência N também apresenta dados e relatos de outras matemáticas de países da África e América do Sul. “Além das discussões científicas, existem outras discussões relevantes acontecendo na matemática, e uma delas é sobre a subrepresentatividade”, afirma a diretora de Divulgação Científica do Instituto Serrapilheira, Natasha Felizi. Ela ressalta a importância do documentário em termos de visibilidade e memória, por conta da dificuldade em relação à leitura de dados sobre a presença de mulheres negras na matemática.

Confira o minidocumentário Potência N: