05/08/2026 03:50

Serrapilheira abre seleção para novo(a) diretor(a)-executivo(a)

  • Institucional

Instituto, que completa dez anos em 2027, lança chamada pública para substituir o geneticista Hugo Aguilaniu

O Instituto Serrapilheira, que completará dez anos em 2027, seleciona novo(a) diretor(a)-executivo(a) para liderar a instituição em seu próximo ciclo. Para isso, lança uma chamada pública em busca de candidatos. O edital está disponível aqui. O formulário para a candidatura está aqui.

A pessoa selecionada substituirá o geneticista Hugo Aguilaniu, que ocupa a direção executiva do Serrapilheira desde sua criação, em 2017. Aguilaniu deixa o instituto para assumir a liderança do recém-criado Instituto Relva, iniciativa que nasceu como um projeto-piloto do Serrapilheira e tem como foco a produção de ciência na área ambiental e sua interface com políticas públicas.

Os candidatos ao cargo de diretor(a)-executivo(a) devem ter titulação mínima de doutorado; ampla compreensão do ambiente universitário e do sistema de pesquisa científica nacional e internacional; experiência comprovada em liderança e gestão, além de capacidade de diálogo com cientistas, imprensa e instituições parceiras no Brasil e no exterior.

Para concorrer ao cargo, os interessados deverão enviar um currículo de até três páginas e um projeto para o Serrapilheira de até cinco páginas, contendo uma avaliação da atuação do instituto e propostas estratégicas para o futuro. As candidaturas serão recebidas até 4 de setembro de 2026, às 23h59 (horário de Brasília).

O Serrapilheira é a primeira instituição privada sem fins lucrativos dedicada ao fomento à ciência no Brasil. Desde 2017, apoia jovens cientistas que investigam questões fundamentais nas ciências naturais, na matemática e na ciência da computação; contribui para a formação de uma nova geração de pesquisadores em ecologia quantitativa e fortalece o jornalismo científico e a divulgação da ciência.

A nova fase do Serrapilheira

A chegada de uma nova pessoa à direção executiva acompanha uma série de mudanças que já vêm acontecendo no instituto como parte de seu planejamento estratégico para os próximos dez anos.

Em outubro de 2025, Cristina Caldas deixou a diretoria do Programa de Ciência, que agora passa a ser ocupada por Kleber Neves, antes gestor de Ciência. Já Camila Teicher, antes gerente do Programa de Formação em Ecologia Quantitativa, assumiu a diretoria do programa em setembro de 2025.

Kleber Neves, biomédico formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutor em neurociências pela mesma instituição, se dedicou à pesquisa sobre a evolução do sistema nervoso e da cognição. Foi parte da equipe coordenadora da Iniciativa Brasileira de Reprodutibilidade, trabalhando com metaciência, bioestatística, reprodutibilidade e cientometria. Faz parte do Board of Directors do ASAPBio, organização que promove a transparência na comunicação científica em ciências da vida. No Serrapilheira, onde está desde 2021, é responsável pelas iniciativas de apoio à ciência e pela avaliação de impacto.

Já Camila Teicher é licenciada em letras pela PUC-Rio e mestre em tradução pelo Colegio de México (Cidade do México). Com uma década de experiência em projetos educacionais e como revisora e tradutora para empresas estrangeiras, instituições acadêmicas e veículos de comunicação, ampliou sua formação com pós-graduações em gestão do conhecimento (Coppe/UFRJ) e gerenciamento de projetos (PUC-Rio). Está no Serrapilheira desde 2018, e desde 2021 é responsável pelo Programa de Formação em Ecologia Quantitativa, unindo responsabilidades operacionais à articulação colaborativa com a comunidade científica.

Camila Teicher e Kleber Neves se juntam a Natasha Felizi, responsável pelo Programa de Jornalismo e Mídia, na direção do instituto.

Nos primeiros anos do Serrapilheira, Hugo Aguilaniu teve o desafio de criar algo que fosse realmente útil para os cientistas brasileiros. Com um fundo patrimonial inicial de R$ 350 milhões, fruto de uma doação familiar, o instituto nunca pretendeu substituir as agências públicas de fomento, que constituem o principal pilar do financiamento científico no país.

Não por acaso, sua concepção começou anos antes, em 2014, a partir de muitas conversas com a comunidade científica. A inspiração para criar o Serrapilheira veio diretamente do renomado pesquisador do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) Jacob Palis.

O objetivo do Serrapilheira, portanto, era complementar o fomento tradicional, contribuindo onde os recursos públicos encontram mais limitações: no financiamento flexível e de longo prazo da ciência de alto risco, que busca responder a questões fundamentais sobre o mundo, com chances significativas de dar errado, mas também potencial para gerar grandes transformações quando dá certo.

Como uma organização privada com recursos próprios, o próprio Serrapilheira poderia, também, arriscar e servir como um laboratório de experimentação de ideias inovadoras: formas de seleção, avaliação e financiamento não tradicionais que, caso dessem certo, poderiam se tornar modelos a serem eventualmente incorporados por agências públicas.

Assim, em março de 2017, o Serrapilheira foi lançado em um evento no IMPA, no Rio de Janeiro. Sua missão era apoiar cientistas em início de carreira que desenvolvessem pesquisas fundamentais em ciências naturais, ciência da computação e matemática. O instituto também criou uma frente de apoio a projetos de divulgação científica, buscando ampliar a visibilidade da ciência brasileira. Em 2021, abriu uma terceira frente, voltada à formação em ecologia quantitativa para estudantes interessados na interdisciplinaridade.

Nove anos depois, o Serrapilheira já investiu quase R$ 130 milhões em mais de 400 projetos de ciência e de divulgação científica e contribuiu para a formação de quase 180 alunos. Foram realizadas 14 chamadas públicas de ciência, dez de divulgação científica e seis da Formação em Ecologia Quantitativa. O painel de dados públicos traz mais detalhes sobre os apoios oferecidos pelo instituto.

Das 30 chamadas públicas, seis foram exclusivas para grupos sub-representados na ciência e na divulgação científica. Desde o início do Serrapilheira, R$ 30 milhões foram destinados a ações de promoção da diversidade na ciência, um de seus valores fundamentais.

Desse valor, R$ 9 milhões foram executados pelo bônus de diversidade, um recurso extra oferecido aos cientistas apoiados para fomentar a capacitação e a inclusão de pessoas de grupos sub-representados em suas equipes. Quase 300 pessoas já foram beneficiadas, entre bolsistas de iniciação científica, mestrandos, doutorandos, pós-doutorandos, assistentes de pesquisa e técnicos.

Nesse meio tempo, Luna Lomonaco, matemática do IMPA apoiada pelo Serrapilheira, provou uma conjectura de 1994 sobre homeomorfismos do conjunto de Mandelbrot – provavelmente o fractal mais conhecido da matemática – com grupos modulares. Em 2019, tornou-se a primeira mulher a receber o Prêmio da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), concedido ao melhor trabalho original de pesquisa da área.

A Agência Bori, criada em 2020 com apoio do Serrapilheira e inspirada no EurekAlert!, dos Estados Unidos, surgiu para aumentar a presença da ciência na mídia nacional. Hoje, distribui gratuitamente informações sobre estudos brasileiros prestes a serem publicados a mais de 3.600 jornalistas cadastrados em sua plataforma. Desde sua criação, mais de 900 pesquisas já foram divulgadas.

Rafael Chaves, físico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, vem avançando na busca por uma teoria da causalidade capaz de descrever fenômenos quânticos. Para isso, desenvolve conceitos e ferramentas que permitam compreender a causalidade na mecânica quântica e, assim, explicar mais profundamente a incompatibilidade dos fenômenos quânticos com a noção intuitiva de causa e efeito.

Dos trinta pós-docs negros e indígenas apoiados a partir de nossas chamadas exclusivas, nove já conseguiram posições formais como professores ou pesquisadores.

O Serrapilheira também contribuiu expressivamente para desenvolver o cenário de podcasts de ciência no Brasil, com 45 apoiados até hoje e o surgimento do gênero narrativo em podcasts de ciência no Brasil: um estudo interno mostrou que todos os podcasts de ciência no Spotify que seguem o formato narrativo são financiados pelo Serrapilheira.

Os editais do Serrapilheira e sua forma de trabalhar vêm inspirando outras instituições públicas e privadas a criar novos mecanismos de apoio a jovens cientistas com pesquisas arriscadas, a organizações independentes dedicadas à divulgação científica, e a ações de inclusão de grupos sub-representados na ciência.

Hugo Aguilaniu ajudou a construir um Serrapilheira sólido, capaz de se renovar e seguir adiante. Em seu próximo ciclo, o instituto pretende fortalecer e expandir sua atuação, mantendo como princípios o apoio à ciência de alto risco e à divulgação científica, a confiança nos cientistas, a valorização da interdisciplinaridade e a abertura à experimentação.

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