Acesso aberto é essencial para o avanço da ciência

Clarice Cudischevitch

Menos da metade dos artigos científicos estão disponíveis publicamente. Uma fração ainda menor disponibiliza seus dados para verificação independente. O cenário é preocupante, pois o acesso aberto é um requisito essencial para o avanço da ciência e confiabilidade de seus resultados. O “Guia de boas práticas em ciência aberta e reprodutível” lançado pelo Serrapilheira traz orientações com o objetivo de contribuir para esse panorama.

O guia parte do princípio de que a ciência é uma prática que necessita de revisão permanente. Os dados abertos permitem que os pesquisadores possam colaborar tanto do ponto de vista da pesquisa como compartilhando conhecimento, reutilizando resultados, dados e métodos, o que contribui para o avanço da ciência e tecnologia.

Não por acaso, em 2018, agências de fomento de 11 países europeus e a Comissão Europeia anunciaram que, até 2020, toda pesquisa financiada com dinheiro público deve ser publicada em periódicos de acesso aberto, segundo a Agência FAPESP. Nesse ponto, o Brasil é um exemplo: é o país com maior número de artigos em acesso aberto no mundo – 74% estão disponíveis publicamente. Boa parte disso se deve à biblioteca virtual SciELO, que reúne cerca de 300 periódicos brasileiros.

“O guia oferece ferramentas que permitem que os achados de pesquisa sejam divulgados de forma transparente para que sejam acessíveis, verificáveis e reprodutíveis”, afirma a diretora de Pesquisa Científica do Serrapilheira, Cristina Caldas. “O objetivo é facilitar a comunicação do processo completo de fazer ciência, pois, quando lemos um artigo publicado, temos acesso a uma parte muito pequena do ciclo de produção de conhecimento.”

Boas práticas na ciência, no entanto, vão além de dados abertos. “O documento traz orientações de como buscar o rigor na atividade científica, abrangendo desde a elaboração do projeto e realização dos experimentos até análises e publicação de dados”, completa Caldas. Uma recomendação nesse sentido, por exemplo, é adotar um sistema rigoroso de registro de protocolos e resultados, como um caderno de laboratório ou uma ferramenta eletrônica que cumpra esta função.

Outras dicas trazidas pelo “Guia de boas práticas em ciência aberta e reprodutível”, estão a recomendação de depositar os artigos como preprint antes ou no momento da submissão; utilizar medidas de controle de viés ao realizar experimentos; e fazer uma revisão cuidadosa da literatura antes de iniciar um projeto, seja ele experimental ou teórico.

O guia foi elaborado a pedido do Serrapilheira por Olavo Amaral, pesquisador do Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis (UFRJ) e idealizador da Iniciativa Brasileira de Reprodutibilidade, e revisado por grantees do instituto atuantes em diferentes áreas de pesquisa. Acesse aqui.