Guerilla Science leva a ciência a lugares inesperados

Space Yoga, promovido pelo Guerilla Science. Foto: Divulgação

Clarice Cudischevitch

O que um praticante de ioga e um astronauta têm em comum? Para o Guerilla Science, muito mais do que se imagina. No Camp Serrapilheira, o coletivo britânico vai promover uma aula aberta de Space Yoga que, inspirada pelos treinamentos de astronautas, explica os efeitos da microgravidade no corpo quando se viaja para o espaço. A atividade acontece no dia 8 de setembro, na Casa Firjan, no Rio de Janeiro.

O Space Yoga foi desenvolvido em colaboração com a Agência Espacial do Reino Unido. O grupo define a atividade como “uma aula de ioga com um toque cósmico”: os participantes reproduzem uma série de alongamentos e exercícios guiados por um “instrutor de ioga estelar” enquanto aprendem sobre microgravidade a partir de explicações de um cientista, que ajuda a conduzir a experiência.

Conectar o público à ciência das formas mais inesperadas é a missão do Guerilla Science. Não por acaso, o coletivo britânico nasceu em um festival de música e arte, o Secret Garden Party, no Reino Unido, em 2008. “Começamos como um Science Camp, inspirados pela vontade de compartilhar ciência com pessoas que, a princípio, não têm interesse ou vínculo com a área”, diz a cofundadora e diretora, Jen Wong. Ela também estará no Camp Serrapilheira e fará uma palestra no dia 7 de setembro.

“Nos festivais, vimos que as pessoas tinham bastante curiosidade e queriam abrir suas mentes, então pensamos que a melhor forma de divulgar ciência é por meio da surpresa, levando-a a lugares inesperados”, conta. “Misturamos ciência com arte, música, teatro. Queremos que as pessoas se divirtam com as experiências que criamos.”

Para o Guerilla Science, qualquer lugar pode ser um ambiente propício para promover a ciência por meio da criatividade, de galerias de arte a shoppings centers. Jen Wong conta que a atividade mais “estranha” que já organizou foi um “banquete de cérebro” dentro de um bunker da Segunda Guerra, em Londres. A experiência multissensorial consistia em um jantar com cinco refeições que exploravam diversas funções do cérebro.

Cada refeição chegava às mesas acompanhada de explicações de neurocientistas, psicólogos e médicos. No final do banquete, elaborado por chefes da Blanck & Shock, o prato servido era um cérebro real, de vitela – os que não comiam carne ou menos corajosos tinham couve-flor como opção. “Eu sou vegetariana e não lido com cérebros dessa forma, mas foi uma experiência muito bonita, que nos mostrou o órgão incrível que ele é”, comenta a diretora.

Cérebro de vitela servido no banquete do Guerilla Science. Foto: Divulgação

Wong explica que, quando o Guerilla Science planeja uma nova atividade, ela é pensada de forma completa: “Muitas vezes o cientista assume que as pessoas querem saber sobre o trabalho deles. O que fazemos é ver qual será o público-alvo e imaginar como será a experiência individual a partir da idade, agenda, interesses daquele grupo. Com esse cenário, tentamos criar uma performance que seja significativa para a audiência”.

Outro recurso usado pelo coletivo é colocar os cientistas que participam das atividades no mesmo nível da audiência, sem hierarquia, com transparência e diálogo. “Os cientistas com os quais trabalhamos nunca usam jaleco. Procuramos pegar a ideia científica e mostrar que há pontes narrativas entre as experiências. Queremos pessoas se conectando de forma marcante.”

O Camp Serrapilheira é um evento promovido pelo Instituto Serrapilheira para abordar novas narrativas sobre ciência. O encontro reúne divulgadores científicos do Brasil para participarem de workshops, conhecerem referências internacionais na área e formarem redes de colaboração. A edição desse ano, aberta ao público e gratuita, acontece na Casa Firjan e no cinema Estação NET Rio, no Rio de Janeiro. A palestra de Jen Wong será no dia 7 de setembro, às 15h. Já a aula aberta de Space Yoga acontece no dia 8, às 14h30. Saiba mais sobre a programação e inscreva-se.