Instituições tradicionais promovem novas abordagens de divulgação científica

Segundo dia do Camp Serrapilheira teve apresentações de projetos de todo o Brasil

Ecólogo marinho Guilherme Longo apresenta o projeto “De olho nos corais”. Foto: Filipe Costa/ Agência Rastro

Clarice Cudischevitch

Do meio ambiente à química, o Observatório do Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, foi palco de apresentações de projetos de divulgação científica em diversos temas, selecionados na primeira fase do Camp Serrapilheira, na manhã desta quarta-feira (5). Cientistas e jornalistas expuseram ideias de compartilhar ciência em formatos inovadores, vinculados a instituições tradicionais.

A geofísica Katia Pinheiro, autora do Projeto “Viagem científica ao centro da Terra”. Foto: Filipe Costa/ Agência Rastro

A geofísica do Observatório Nacional Katia Pinheiro, pesquisadora apoiada pelo Instituto Serrapilheira, inspirou-se na obra do escritor francês Julio Verne para lançar uma “viagem científica ao centro da Terra”. Seu projeto é fazer uma websérie baseada em entrevistas com 12 cientistas mulheres de oito países. “Vamos passar pela crosta continental, descer para o manto terrestre e núcleos externo e interno. São 6.371 km, o equivalente a viajar do Rio de Janeiro à África do Sul.”

A jornalista Cristina Amorim, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), apresentou o bootcamp para comunicadores de ciência organizado pela entidade. É um curso intensivo de cinco dias de imersão em campo, em que os participantes acompanham as atividades do IPAM relacionadas à preservação e monitoramento ambiental, com avaliação do impacto do fogo na serrapilheira e coleta de material na água. “Não é voltado só para divulgadores científicos, mas para quem precisa entender o que é Amazônia.”

O microbiologista Leandro Lobo, secretário-regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência no Rio de Janeiro (SBPC-RJ), é criador do projeto Carona com Ciência, vencedor do primeiro Hackaton de Divulgação Científica da Fiocruz. Inspirada em programas como “Comedians in cars getting coffee”, de Jerry Seinfeld, a ideia tem o objetivo de humanizar cientistas ao entrevistá-los em carros em movimento, de forma descontraída e bem-humorada. “Vamos receber pessoas do público como ‘caronas’, que entrarão no meio do caminho para fazer perguntas.”

Já o pesquisador Guilherme Marson, da Sociedade Brasileira de Química (SBQ), planeja aproveitar o Ano Internacional da Tabela Periódica, em 2019, para engajar pessoas na iniciativa “Meu elemento, minha cara”. Em um portal, a pessoa insere dados sobre seu estilo de vida e descobre a porcentagem de composição de elementos químicos em seu corpo. A partir daí, é gerado o seu avatar químico e, com uma selfie, será possível fazer um fotomosaico personalizado. “Nós nos inspiramos no Ano Internacional da Química em 2011, em que o Brasil foi o país que mais participou do experimento global que mediu o pH da água no planeta.”

Também apoiado pelo Serrapilheira, o pesquisador do Laboratório de Ecologia Marinha da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) Guilherme Longo apresentou o projeto de ciência-cidadã “De olho nos corais”. Ele incentiva a população a compartilhar nas redes sociais fotos tiradas desses animais pelo litoral brasileiro. Assim, os cientistas podem monitorar suas condições. “Em todo o mundo, os corais estão passando por um processo de branqueamento e morrendo, por causa das mudanças climáticas, então queremos ver como está a situação no Brasil. Todo mundo pode ser um cientista marinho.”

Hugo Fernandes-Ferreira, do programa “Zoa”. Foto: Filipe Costa/ Agência Rastro

O zoólogo Hugo Fernandes Ferreira, da Universidade Estadual do Ceará (UECE), promove divulgação científica na TV aberta do estado. Ele apresenta o “Zoa”, programa semanal sobre zoologia, na Jangadeiros, a afiliada local do SBT. “Somos o líder de audiência do horário e já alcançamos 1,3 milhão de pessoas. No Ceará, 51% da população não tem acesso a internet, então a TV aberta é importante.” O conteúdo é produzido por alunos bolsistas do Núcleo de Divulgação Científica da UECE, que desenvolve outros projetos, como o que leva astronomia ao sertão cearense.

Camp Serrapilheira

Lançado em abril, o programa incluiu edital para selecionar iniciativas brasileiras de divulgação científica a ser potencialmente patrocinadas pelo Instituto em 2019. Na primeira fase do Camp, 50 candidatos escolhidos apresentam seus projetos e participam de workshops com os representantes da Curiosity Machine, do Perimeter Institute, do MICRO e Science Vs, destas quarta-feira (5) a sexta-feira (7), em evento fechado no Museu do Amanhã. Em seguida, até 20 dos candidatos serão selecionados para receber até R$ 100 mil de financiamento.