Laboratórios de 18 estados se cadastram para experimento inédito no Brasil

Clarice Cudischevitch

A Iniciativa Brasileira de Reprodutibilidade recebeu inscrições de 71 laboratórios brasileiros interessados em colaborar com a rede que vai replicar experimentos científicos. Apoiado pelo Serrapilheira, o projeto, coordenado pelo professor do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ Olavo Amaral, vai montar uma rede inédita para estimar quão reprodutível é a pesquisa biomédica feita no país.

“Minha estimativa otimista era receber 50 inscrições. Batemos todas as metas”, comenta Amaral. O plano é que cada experimento selecionado seja reproduzido por ao menos três laboratórios diferentes e que, ao longo de dois anos, os grupos tentem replicar de 50 a 100 resultados apresentados em periódicos nos últimos 20 anos.

No cadastro, os laboratórios interessados em colaborar deveriam indicar em quais técnicas, entre as dez listadas, eles têm expertise, de modo a formar grupos de pesquisadores. Os métodos são simples e podem ser aplicados a modelos de roedores ou linhagens de células. A ideia é utilizar a infraestrutura já existente nos laboratórios, e os custos da participação no projeto serão cobertos pelo Serrapilheira, que financia a iniciativa.

Os 71 inscritos são de 18 estados diferentes do Brasil. Agora, a meta é definir quais das dez técnicas listadas vão ser utilizadas no projeto de reprodutibilidade – até cinco serão escolhidas – e, a partir daí, serão determinados os laboratórios que vão efetivamente participar da iniciativa.

“Não necessariamente participarão todos os que se cadastraram; isso depende das técnicas para as quais eles se habilitaram e as que vamos utilizar de fato”, afirma Amaral. O grupo final de laboratórios participantes será definido até o fim de 2018, e a expectativa é que eles comecem a trabalhar por volta de junho de 2019.

Testar a reprodutibilidade dos experimentos publicados é uma etapa importante na pesquisa científica, pois, por esse processo, os cientistas têm como saber se aquele resultado também é válido em outros laboratórios. No entanto, fazê-lo de forma sistemática sempre foi uma grande lacuna em todo o mundo. Levantamentos recentes em áreas específicas de pesquisa sugerem que boa parte dos experimentos publicados não são reprodutíveis, tornando essa uma questão urgente na ciência internacional.

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