Mulheres na ciência: igualdade deve ser buscada de forma consistente

A grantee Denise Hissa durante o segundo Encontros Serrapilheira, em novembro de 2018. Foto: Diego Padilha

Clarice Cudischevitch

Em todo o mundo, apenas 30% dos cientistas são do gênero feminino. Mesmo sendo hoje maioria no mestrado e doutorado, elas levam mais tempo para conquistar espaços de liderança e chegar ao topo da carreira. Para reconhecer a importância das mulheres na pesquisa, nesta segunda-feira, 11 de fevereiro, é celebrado o Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência, declarado pela Assembleia Geral da UNESCO.

Desde sua criação, o Serrapilheira reconhece os problemas relacionados à desigualdade de gênero na ciência e procura contribuir das formas possíveis. O Conselho Científico do instituto e os painéis de avaliação de projetos, por exemplo, são compostos por mulheres e homens na mesma proporção. O objetivo é evitar possíveis vieses na seleção de propostas.

Além disso, nas Chamadas Públicas de Apoio à Pesquisa, o prazo de conclusão de doutorado para mulheres que tiveram um ou mais filhos é estendido em até dois anos. A ação é uma forma de reconhecer que a maternidade afeta o tempo de dedicação à pesquisa. Outra medida adotada é a de oferecer um auxílio financeiro extra às pesquisadoras selecionadas que tenham bebês de até um ano ou que tiveram filhos durante o grant, além de um suporte para participação de eventos.

“São apoios pontuais que consideramos óbvios e que deveriam ser uma preocupação de todas as instituições, mas infelizmente não costuma ser assim”, afirma o diretor-presidente do Serrapilheira, Hugo Aguilaniu. “Essa é uma atenção que temos que ter sempre, mas sabemos que os problemas de igualdade de gênero são maiores e anteriores a isso.”

Em 2018, o Serrapilheira financiou a realização do primeiro Simpósio sobre Maternidade e Ciência, na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). O evento foi um pontapé para uma série de atividades que têm o objetivo de entender o impacto da maternidade na carreira científica – entre eles o levantamento de dados que vem sendo feito pelo grupo Parent in Science – e, assim, buscar responder a algumas dessas perguntas.

Outras iniciativas que tentam entender a fundo os problemas relacionados à desigualdade de gênero na ciência são dois minidocumentários produzidos pela revista Gênero e Número com apoio do Serrapilheira. O Fator F apresenta a visão de mães e pais sobre os obstáculos de se conciliar a maternidade e a carreira científica e dá voz a estudiosos do tema. Já o Potência N mostra as barreiras enfrentadas por mulheres negras na Matemática.

“Apoiamos não apenas iniciativas que combatam diretamente a desigualdade de gênero, mas também as que busquem levantar e explicar dados sobre a forma com a qual ela se manifesta”, destaca a diretora de Divulgação Científica do Serrapilheira, Natasha Felizi. “São projetos que reforçam modelos positivos de mulheres na ciência e colocam em evidência suas conquistas nas áreas da pesquisa, mesmo naquelas predominantemente masculinas, como a Matemática. Esperamos que essas iniciativas sirvam como subsídios para mudanças.”