15/09/2026 07:00

Sesc RJ e Serrapilheira reúnem ciência, arte e música em encontros inéditos abertos ao público

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Pesquisadores das áreas de geologia, biologia e meteorologia batem papo com cantores, compositores e poeta sobre relações entre ciência e arte

O Centro de Ciências e Culturas Sesc RJ (CCCS) e o Instituto Serrapilheira promovem, a partir deste mês, três encontros inéditos entre cientistas e artistas, em uma experiência que alia conversas sobre pesquisas científicas e criação artística e apresentações musicais. O projeto “Ciência em estado de arte” busca aproximar o público dos debates científicos contemporâneos a partir de diferentes linguagens e formas de ver o mundo. As conversas vão acontecer entre setembro e  novembro, na área externa da galeria VÃO, espaço dedicado às intersecções entre arte e ciência e localizado na Avenida Presidente Vargas, 62, no centro do Rio. A entrada é gratuita.

O primeiro encontro, “Plantas, memória e a história da Terra”, será realizado em 24 de setembro, a partir das 18h. Participam a geóloga Adriana Alves, professora da USP que pesquisa o evento vulcânico que marcou a separação entre América do Sul e África e recorre a sedimentos para reconstruir a história profunda do planeta, e o músico, pesquisador e filósofo Tiganá Santana, referência nos estudos africanos bantu no Brasil. A conversa aproxima geologia, plantas, ancestralidade e pensamento afrodiaspórico para imaginar outras formas de compreender a vida e a história da Terra.

No dia 29 de outubro, no mesmo horário, será realizado o segundo encontro da série, “Como morre uma árvore?”. A partir de uma pergunta aparentemente simples, a conversa investiga a vida e a morte no mundo vegetal. A bióloga e professora da Ufopa (Universidade Federal do Oeste do Pará) Deliane Penha, que pesquisa a vulnerabilidade de árvores da floresta tropical do Tapajós, e a cantora, compositora e instrumentista Josyara conversam sobre as plantas como seres complexos, levantando questões sobre inteligência, adaptação, vulnerabilidade, vida e morte.

O último encontro da série, “Cabeça nas nuvens”, será no dia 19 de novembro. A programação traz dois amantes do violão clássico: o meteorologista Micael Cecchini, que investiga a complexa formação das nuvens e sua influência no regime de chuvas da Amazônia; e o cantor e compositor Muato. A partir de suas trajetórias na ciência e nas artes, eles dialogam sobre as aproximações entre pesquisa científica e experimentação musical.

As conversas entre cientistas e artistas serão mediadas pela poeta e performer Natasha Felix, trazendo a visão de mundo da literatura e da poesia para os encontros.

“Em cada edição, um cientista e um artista partem de um eixo temático comum para investigar questões que atravessam tanto a pesquisa científica quanto a criação artística. As conversas são entremeadas por apresentações musicais e performances poéticas, em uma dinâmica que busca ampliar as possibilidades de divulgação científica e estimular o pensamento crítico”, acrescenta Rejane Nóbrega, gerente do Centro de Ciências e Culturas Sesc RJ.

“Para compor os encontros, procuramos explorar afinidades que vão além da trajetória profissional dos cientistas e artistas convidados. Tiganá Santana, por exemplo, é conhecido como músico e pesquisador das humanidades, mas cresceu muito perto de geólogos, já que essa é a profissão do seu pai. Micael Cecchini é meteorologista, pesquisa o nível de organização das nuvens da Amazônia, mas é apaixonado e estuda violão clássico. A curadoria dos encontros busca mostrar que, assim como a arte, a ciência é feita também de material humano, movida por paixões e produzida no limite da incerteza”, diz Natasha Felizi, diretora de divulgação científica do Instituto Serrapilheira.

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