Terceira Chamada Pública de pesquisa recebe 488 propostas

Clarice Cudischevitch

A 3ª Chamada Pública de apoio à pesquisa científica do Serrapilheira, cujas inscrições se encerraram nesta quarta-feira, 18, recebeu 488 propostas. Os selecionados – até 24 jovens pesquisadores que façam grandes perguntas nas áreas de ciências naturais, ciência da computação e matemática – serão anunciados em abril de 2020. Eles receberão grants de até R$ 100 mil, cada.

As propostas foram submetidas de todos os 26 estados do Brasil e do Distrito Federal. A maior parte é de São Paulo (22,1%), seguido por Minas Gerais (13,3%), Rio de Janeiro (11,3%) e Paraná (7,6%). Considerando as regiões, 47,3% das inscrições vieram do Sudeste; 20,3% do Sul;19,5% do Nordeste; 7,6% do Centro-Oeste; e 5,3% do Norte.

A área de ciências da vida foi, mais uma vez, a que recebeu a maior parte das inscrições – 59%. Confira abaixo o gráfico com a distribuição de submissões por área da ciência na 3ª Chamada:

Em relação à distribuição por gênero, 58,8% dos inscritos são homens, 40,6% são mulheres e 0,6% não quiseram informar. Apesar da maior parte das submissões continuar sendo do gênero masculino, uma mudança chamou a atenção: o aumento do número de inscritas em áreas geralmente “dominadas” por homens. Em ciência da computação, por exemplo, a porcentagem de mulheres inscritas aumentou de 7,7%, na 2ª Chamada Pública, para 24,4% neste edital.

Em geociências, a mudança foi ainda mais expressiva, pois as candidatas mulheres foram maioria: 58,1%, contra 41,9% de homens. Na 2ª Chamada Pública, elas eram 38,4% dos inscritos na área. A necessidade de mais candidaturas de mulheres nas chamadas “ciências duras” ficou evidenciada em um estudo conduzido durante o workshop No-Budget Science Hack Week – saiba mais aqui.

Confira a tabela abaixo:

Busca por pesquisas ambiciosas e diversidade na ciência

Como nas chamadas anteriores, o Serrapilheira buscou pesquisadores criativos com perguntas ambiciosas que procurassem, sobretudo, compreender questões fundamentais da ciência, ainda que os projetos envolvam estratégias de risco.

Além disso, por acreditar que a diversidade é essencial para uma ciência de qualidade por promover a pluralidade de ideias, o instituto encorajou a candidatura de mulheres, pessoas negras e de outros grupos sub-representados no ecossistema científico.

Em relação ao perfil de cor/raça, 66% das propostas foram submetidas por pessoas auto-declaradas brancas, seguidas de “outras” (12%), “não quiseram informar” (11%), pessoas negras (8%), asiáticas (2%) e indígenas (1%).
Buscando, justamente, contribuir para mudar esse cenário de baixa diversidade na ciência, o Serrapilheira lançou, em 2019, o “Guia de boas práticas em diversidade na ciência”, elaborado por especialistas no tema.

Os cientistas contemplados com o apoio de R$ 100 mil passam a integrar a Comunidade Serrapilheira e são reavaliados após um ano. A partir daí, até três terão o apoio renovado e receberão até R$ 700 mil, com bônus de R$ 300 mil para composição e formação de equipes com diversidade. Os recursos podem ser utilizados por três anos.