O peixe que você come não é o peixe que você gostaria de comer

Ciências da Vida

A poluição da Baía de Guanabara é pauta nos jornais brasileiros desde a década de 1940. Já a despoluição da baía é uma promessa feita por governadores do Rio de Janeiro pelo menos desde os anos 1990. Renovada a cada ciclo eleitoral, essa promessa nunca é cumprida. Como um século de poluição impactou a vida que habita a Baía de Guanabara? E, por consequência, como essa situação pode impactar os seres humanos que se alimentam do que é pescado ali? Esses peixes têm a mesma qualidade nutricional em comparação com outros da mesma espécie vivendo em ambientes equilibrados? Carreiam toxinas para o nosso organismo? Quais são as populações mais vulneráveis? E o que dificulta a resolução do problema, que se arrasta há décadas? Em “O peixe que você come não é o peixe que você gostaria de comer”, jornalistas que cobrem alimentação e cientistas que estudam a vida marinha olham juntos para um caso de degradação ambiental simbólico para todo o Brasil – e que diz muito sobre o futuro dos nossos habitats marinhos. Produziremos um episódio do Prato Cheio e materiais didáticos no âmbito da iniciativa Mesa Cheia, atrelada ao podcast de O Joio e O Trigo. O projeto vai mostrar o trabalho do Laboratório de Radioecologia e Alterações Ambientais da Universidade Federal Fluminense (Lara/UFF), que atualmente investiga os impactos da eutrofização nas teias alimentares – e tem campos em curso tanto na Baía de Guanabara, quanto num ambiente que pode ser considerado seu oposto: o município de Arraial do Cabo (RJ). O fio condutor será dado pelo acompanhamento desses trabalhos de campo. De um lado, jornalistas (co-proponentes de jornalismo e mídia) tentando entender o contexto macro por trás da poluição da Baía de Guanabara, e dos ambientes marinhos no geral, pelo viés da alimentação. De outro, o cientista (co-proponente de ciência) relatando o que o move a pesquisar um tema específico no mundaréu de problemas decorrentes da eutrofização: as alterações na via de síntese de lipídios como ômega 3 e ômega 6 pelos peixes da baía. Além de divulgar os primeiros resultados dessa pesquisa, previstos para o segundo semestre de 2024, o projeto vai trazer para o primeiro plano os fazeres científico e jornalístico – e como eles podem se entrecruzar.

Recursos investidos

Grant 2023: R$ 29.900,00