Por mais mulheres na ciência e na divulgação científica

A bióloga Sarah Azoubel e a jornalista Bia Guimarães, criadoras do podcast 37 graus, um dos projetos apoiados pelo Serrapilheira

No Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, a diretora de Divulgação Científica do Serrapilheira, Natasha Felizi, escreve artigo sobre algumas das iniciativas desenvolvidas pelo instituto para promover a diversidade na ciência e na divulgação científica. Confira.

Por Natasha Felizi

As mulheres são 57% dos estudantes de graduação, 55% dos bolsistas de iniciação científica e apenas 36% entre os que recebem bolsas de produtividade em pesquisa do CNPq (aquelas destinadas a doutores com uma trajetória acadêmica sólida). No mundo, por sua vez, apenas 30% dos cientistas são do gênero feminino. Esses e muitos outros números mostram a importância de celebrarmos o dia de hoje, 11 de fevereiro, como o Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência.

No Serrapilheira, essa é uma questão muito cara para nós. Acreditamos que, quanto maior a pluralidade de pessoas participando da atividade cientifica (e isso inclui não apenas mulheres, mas também pessoas negras e de outros perfis sub-representados), mais interessante ela se torna. Em nossas chamadas públicas de apoio à pesquisa, por exemplo, observamos a baixa candidatura do gênero feminino nas ciências mais “duras”, como matemática, física e ciência da computação. Procuramos incentivar uma maior diversidade e participação de mulheres na ciência de algumas formas.

Nos editais de apoio à ciência, o prazo de conclusão de doutorado para mulheres que tiveram filhos é estendido em até dois anos. A ação é uma forma de reconhecer que a maternidade afeta o tempo de dedicação à pesquisa. Outra medida adotada é a de oferecer um auxílio financeiro extra às nossas grantees que tenham bebês ou que ficaram grávidas durante o grant, além de um suporte para que possam participar com filhos dos nossos eventos.

Em 2018, apoiamos a participação de 20 mulheres matemáticas negras no World Meeting of Women in Mathematics (WM2), que aconteceu no Rio de Janeiro durante o principal encontro de matemáticos do mundo, o International Congress of Mathematicians. O minidocumentário Potência N, produzido pela Gênero e Número durante o encontro, mostra as barreiras enfrentadas por mulheres negras na matemática.

A Gênero e Número, aliás, lança amanhã (12) o Open Box da Ciência, projeto que também recebeu apoio do Serrapilheira. O especial destaca 50 perfis de mulheres cientistas que vêm produzindo e articulando o campo acadêmico brasileiro em cinco áreas do conhecimento, além de trazer dados inéditos sobre o tema.

No programa de Divulgação Científica, metade dos projetos que recebemos e apoiamos são liderados por mulheres. Como, por exemplo, a Agência Bori, que vai fazer uma ponte entre cientistas e imprensa para divulgação de pesquisas brasileiras. Coordenada pela jornalista Sabine Righetti e a biomédica Ana Paula Morales, a iniciativa também será lançada amanhã. Já o podcast Fronteiras da Ciência, produzido pela física Carolina Brito, é um dos maiores sobre o tema no Brasil. Busca, atualmente, ampliar a audiência de mulheres, já que seu público é 90% masculino.

Buscamos apoiar não apenas iniciativas que combatam diretamente a desigualdade de gênero, mas que também busquem levantar e explicar dados sobre a forma que ela se manifesta. Algumas dessas iniciativas são projetos que reforçam modelos positivos de mulheres na ciência e na divulgação científica. Esperamos que essas iniciativas, ainda que pontuais, possam servir como subsídios para grandes mudanças.